Lideranças do partido cobram mudança na estratégia de campanha para o segundo turno nas próximas três semanas.

Lideranças do PT apontam o ministro Sidônio Palmeira como principal responsável pela derrota de Lula no primeiro turno e cobram mudança na estratégia.
Lideranças do Partido dos Trabalhadores apontam o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, como o principal responsável pela derrota do presidente Lula no primeiro turno. Segundo petistas ouvidos, o partido cobra uma guinada na campanha nas próximas três semanas.
Três integrantes do PT afirmam que a campanha foi conduzida no improviso. Na avaliação deles, o debate ficou boa parte do tempo distante da realidade das ruas, com temas como soberania e terras raras no lugar do custo de vida. Também houve disputas internas que vazaram, sempre sob a ótica do ministro.
Um dos exemplos citados é a discussão interna sobre as apostas online. Sidônio defendia o fim total das bets, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, preferia uma saída gradual via Congresso. A proibição prevaleceu, mas a notícia de que Lula havia acabado com as bets dividiu espaço com a de que Sidônio havia vencido Edinho.
Para uma ala do partido, a estratégia nunca foi bem definida. Esse grupo avalia que a campanha apostou demais na máquina do Estado e em um pacote de bondades, sem medir o efeito eleitoral. Medidas como o reajuste do Bolsa Família, o fim das bets e a renegociação de dívidas não tiveram o impacto esperado.
Petistas também avaliam que Sidônio não conseguiu rebater o principal discurso de Flávio Bolsonaro (PL): o custo de vida, simbolizado pelo carrinho de supermercado que não se consegue encher por causa dos preços. Para eles, o governo tem bons indicadores de inflação, desemprego e crescimento, que deveriam ter sido mais explorados. A percepção de piora da economia deveria ter sido explicada por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, que pressionou os combustíveis, e os fenômenos climáticos, que encareceram os alimentos.
Outra crítica é que Sidônio chegou ao período eleitoral sem reduzir a desaprovação do governo, hoje na casa de 50%. Segundo petistas, ele foi o único responsável pela comunicação de um presidente candidato à reeleição a não melhorar esse índice. Os casos comparados são Fernando Henrique Cardoso, em 1998, o próprio Lula, em 2006, Dilma Rousseff, em 2014, e Jair Bolsonaro, em 2022, que reduziu a taxa em 15 pontos durante a campanha.
O PT se reúne nesta segunda-feira (5) para planejar a campanha do segundo turno. Uma das possibilidades é Lula se licenciar para se dedicar só à campanha. Outra é reforçar as fragilidades de Flávio Bolsonaro.







