A disputa entre PT e PDT pelo protagonismo na frente progressista do Rio Grande do Sul destaca a busca pelo apoio do presidente Lula em 2026

PT e PDT no Rio Grande do Sul disputam apoio de Lula para liderar frente de esquerda nas eleições de 2026.
Pt e PDT disputam apoio de Lula para liderar frente de esquerda no RS
A disputa entre PT e PDT no Rio Grande do Sul para definir a liderança da frente progressista nas eleições de 2026 tem no apoio do presidente Lula um elemento central. Na quarta-feira (11), Lula recebeu no Palácio do Planalto a ex-deputada estadual Juliana Brizola, do PDT, e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, para tratar do cenário eleitoral gaúcho. A articulação entre os partidos visa construir uma frente ampla de esquerda, mas esbarra na resistência de ambos em abrir mão da candidatura própria ao governo estadual.
Contexto político e histórico da disputa no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul apresenta uma tradição de disputas políticas marcadas por fortes identidades partidárias, especialmente à esquerda. O PT, que governou o estado em gestões históricas como as de Olívio Dutra e Tarso Genro, pretende manter sua candidatura, representada atualmente por Edegar Pretto, presidente da Conab e figura com forte ligação ao movimento social e à história do partido. Por sua vez, o PDT aposta na neta de Leonel Brizola, Juliana Brizola, como candidata capaz de aglutinar forças progressistas e vencer a direita. A resistência em ceder a cabeça de chapa demonstra a complexidade das negociações e o peso simbólico e estratégico que cada partido atribui à candidatura.
Reuniões e estratégias para formação da frente ampla progressista
Desde o início de fevereiro, PT e PDT vêm realizando reuniões para tentar construir um consenso. Após o encontro entre Lula, Juliana Brizola e Carlos Lupi no Planalto, lideranças pedetistas afirmam que o PT deveria abrir mão da candidatura própria para fortalecer a frente. Por outro lado, o PT mantém o nome de Pretto como pré-candidato e se prepara para uma eventual divisão no primeiro turno, com a expectativa de união no segundo turno. O presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, destacou encontros com PDT e PSB e a existência de uma mesa pró-Lula composta por oito partidos, mostrando o esforço para ampliar a aliança em torno do projeto progressista.
Impactos no cenário eleitoral e desafios para a esquerda gaúcha
O embate entre PT e PDT reflete um dilema estratégico: a necessidade de construir unidade para derrotar a direita forte no estado versus a preservação das identidades partidárias e seus projetos próprios. O sucesso ou fracasso da aliança poderá influenciar diretamente o desempenho da esquerda no governo estadual e nas eleições presidenciais, já que o Rio Grande do Sul é um estado tradicionalmente competitivo. A rejeição histórica do PT em abrir mão da candidatura própria pode afetar a capacidade da esquerda de consolidar apoio em primeiro turno, enquanto o PDT busca apresentar Juliana Brizola como a alternativa mais competitiva para um segundo turno.
Planos de campanha e mobilização política dos pré-candidatos
Edegar Pretto prepara uma caravana por 27 cidades para fortalecer a militância e apresentar seu plano de governo, ressaltando a prioridade de garantir a vitória de Lula no estado, algo que não ocorre desde 2002. Juliana Brizola, por sua vez, aposta na experiência da campanha de 2024 para Porto Alegre, quando se posicionou como a alternativa viável para derrotar a direita, buscando ampliar esse argumento para o contexto estadual. Ambos os pré-candidatos afirmam publicamente que não abrirão mão da candidatura, o que sinaliza que o processo eleitoral poderá ser marcado por negociações intensas e possível segundo turno decisivo para a unidade da esquerda.
Cenário político complementar e alianças no estado
Além da disputa entre PT e PDT, o cenário gaúcho conta com a presença do deputado federal Luciano Zucco, do PL, em uma chapa de direita aliada ao PP e Novo, enquanto o vice-governador Gabriel Souza, do MDB, articula uma candidatura de centro. A bancada da esquerda gaúcha no Congresso conta com representantes como o senador Paulo Paim (PT) e a deputada federal Manuela D’Ávila, agora no PSOL. Essa configuração complexa evidencia os desafios para consolidar uma frente progressista sólida capaz de competir com as forças conservadoras e centristas no estado.
A movimentação política entre PT, PDT e o apoio de Lula no Rio Grande do Sul em fevereiro de 2026 revela um momento decisivo para a construção do campo progressista no estado, com impacto direto nas eleições estaduais e nacionais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





