Encontro no Kremlin marca avanço nas negociações trilaterais entre Rússia, EUA e Ucrânia
Putin recebe enviados de Trump para tratar da guerra na Ucrânia, abrindo caminho para negociações trilaterais inéditas entre Moscou, Washington e Kiev.
O presidente russo Vladimir Putin recebeu na madrugada de 23 de janeiro de 2026 enviados do governo americano para discutir a guerra na Ucrânia, sinalizando um possível avanço nas negociações entre os três países envolvidos no conflito.
Contexto do encontro no Kremlin
O encontro ocorreu no Kremlin e teve como representantes dos Estados Unidos Steve Witkoff, enviado especial do governo Trump, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano. Segundo Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, a reunião foi “útil em todos os aspectos” e terminou com o acordo de criação de um grupo de trabalho trilateral para tratar de questões de segurança, a ser realizado ainda no mesmo dia.
Rodada trilateral em Abu Dhabi
Na sequência, foi confirmada uma rodada de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde a delegação norte-americana, liderada por Witkoff, deve se reunir com o grupo russo comandado pelo general Igor Kostyukov, diretor da GRU, agência de inteligência militar russa. Ainda não está claro se as autoridades russas e ucranianas terão contato direto durante essa fase de negociações. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky indicou que as conversas podem durar até dois dias.
Principais desafios nas negociações
O conflito aberto desde 2022 deixou uma série de obstáculos diplomáticos complexos. A principal dificuldade reside no futuro dos territórios ocupados pela Rússia no leste da Ucrânia, em especial aproximadamente 20% da região de Donetsk ainda sob controle ucraniano. Moscou exige a entrega dessas áreas, enquanto Kiev se mantém firme em não ceder territórios conquistados após a invasão.
Outro ponto de tensão refere-se ao ingresso da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Rússia condiciona qualquer acordo à desistência da Ucrânia desse plano e à ausência de tropas da aliança no país. Zelensky, por sua vez, defende que garantias de segurança envolvendo os Estados Unidos estão prontas, mas dependem de ratificação formal.
Diplomacia acelerada e discursos recentes
Essa iniciativa se insere em uma ofensiva diplomática da Casa Branca para pôr fim ao conflito, com enviados de Trump se deslocando entre Moscou e Kiev em ritmo acelerado. O próprio presidente americano declarou que Putin e Zelensky seriam “estúpidos” se não chegassem a um entendimento.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o enviado Witkoff afirmou que ainda resta “um grande ponto” a ser resolvido, sem especificar qual exatamente. Zelensky, após reunião privada com Trump, criticou líderes europeus por esperarem que os EUA assumam a liderança do processo de paz. Trump destacou que todos os envolvidos estão fazendo concessões, mas reafirmou que a definição de fronteiras continua sendo o maior entrave.
Perspectivas para o futuro
O encontro entre Putin e os enviados norte-americanos representa uma retomada importante do diálogo direto entre as partes envolvidas, algo inédito desde o início da invasão russa em 2022. A expectativa é que o grupo de trabalho e a rodada em Abu Dhabi possam viabilizar avanços concretos para a redução das tensões e, eventualmente, um acordo de cessar-fogo e paz duradoura.
A complexidade dos temas a serem tratados, desde a soberania territorial até questões militares e de segurança internacional, indica que as negociações ainda enfrentarão desafios significativos. Contudo, a movimentação diplomática mostra uma disposição renovada para buscar soluções que possam pôr fim ao conflito que já dura anos.





