A alta de 55% no preço do querosene de aviação eleva o impacto do combustível nas despesas do setor aéreo

O aumento de 55% no preço do QAV eleva para 45% a participação do combustível nos custos da aviação no Brasil.
Impacto do aumento do QAV no custo da aviação brasileira
O reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) elevou o combustível para cerca de 45% do custo total das companhias aéreas no Brasil, conforme destacou Juliano Noman, diretor-presidente da Abear. Essa alta ocorre mesmo com o cenário de produção recorde de petróleo no país e a predominância do refino doméstico do QAV, que responde por aproximadamente 86% do consumo nacional.
Esse aumento expressivo no custo do QAV acendeu um alerta no setor aéreo, que já sinaliza ajustes importantes para mitigar os impactos financeiros da alta, como mudanças na malha aérea e elevação das tarifas de passagens. O efeito é sentido principalmente em regiões dependentes da aviação regional, como o Norte e Nordeste do Brasil, onde o impacto pode ser mais severo sobre a conectividade e desenvolvimento econômico local.
Cenário internacional e geopolítico influenciando os preços do QAV
A pressão sobre o preço do querosene de aviação está atrelada a fatores externos, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte de petróleo. Essa instabilidade geopolítica elevou os preços internacionais dos combustíveis derivados do petróleo, refletindo diretamente no QAV consumido no Brasil, mesmo com a capacidade interna de refino.
Especialistas apontam que a volatilidade dos preços globais deve manter a pressão sobre os custos do setor aéreo nos próximos meses, criando a necessidade de medidas emergenciais para evitar um colapso nos serviços oferecidos pela aviação comercial brasileira.
Medidas governamentais em debate para conter os impactos econômicos
Em resposta à crise, o governo brasileiro tem discutido um pacote de medidas que inclui a redução de tributos incidentes sobre o QAV, como PIS/Cofins, além de cortes no IOF sobre operações financeiras das companhias aéreas e no imposto de renda relacionado ao leasing de aeronaves.
Essas propostas são analisadas em conjunto pelos Ministérios de Portos e Aeroportos, Fazenda, Minas e Energia, e a Casa Civil, com previsão de anúncio até o fim da próxima semana, segundo Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos.
Juliano Noman ressalta que tais medidas são fundamentais para amortecer o impacto a longo prazo e evitar prejuízos no desenvolvimento da aviação regional e nos serviços oferecidos à população.
Possibilidade de crédito via Fnac para financiar compra de combustível
Outra iniciativa que está em análise é a liberação de crédito através do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para financiar a aquisição de combustível pelas companhias aéreas. Essa medida visa aliviar a pressão sobre o caixa das empresas no curto prazo e garantir a continuidade das operações.
No entanto, essa proposta ainda enfrenta resistências e incertezas, já que vem sendo discutida há cerca de dois anos sem consenso para sua implementação, o que torna seu desfecho incerto diante da urgência do cenário atual.
Perspectivas para a aviação brasileira diante da alta do QAV
A alta do QAV representa um desafio significativo para a sustentabilidade financeira do setor aéreo no Brasil. A dependência do combustível como principal item de custo torna as companhias vulneráveis a oscilações externas, especialmente em um contexto de instabilidade geopolítica.
O setor deve passar por ajustes estruturais para se adaptar à nova realidade, com possíveis impactos para os consumidores, como aumento das tarifas e redução da oferta de voos em determinadas regiões. O equilíbrio entre a adoção de medidas emergenciais pelo governo e a capacidade de adaptação das empresas será crucial para garantir a continuidade e a competitividade da aviação nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Querosene de aviação (QAV) • Shutterstock





