Quando cai a patente do Mounjaro e o que isso representa

Entenda o prazo para a quebra da patente do medicamento para diabetes e obesidade e os impactos no acesso e mercado farmacêutico

Quando cai a patente do Mounjaro e o que isso representa
Tirzepatida, da Lilly: aprovação para diabetes e efeito emagrecedor Foto: Tirzepatida, da Lilly: aprovação para diabetes e efeito emagrecedor

A patente do Mounjaro, medicamento para diabetes e obesidade, expira em 2036, mas debates sobre antecipação e acesso ampliam a discussão.

Quando cai a patente do Mounjaro e seus efeitos esperados

A patente do Mounjaro, medicamento aprovado para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, expira oficialmente em 5 de janeiro de 2036, conforme informações obtidas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Essa data delimita o período em que a Eli Lilly, farmacêutica responsável pelo produto, detém exclusividade para sua comercialização no Brasil. Até lá, a expectativa é de que o acesso a versões genéricas do remédio permaneça restrito, o que impacta diretamente o custo e a disponibilidade para pacientes.

Mecanismos de ação diferenciados entre Mounjaro e concorrentes

O Mounjaro se destaca por combinar os efeitos de dois hormônios: o GLP-1, que auxilia no aumento da saciedade e controle da glicemia, e o GIP, envolvido na regulação metabólica. Essa dupla ação resulta em perdas de peso significativas, que chegam a cerca de 20% do peso corporal, conforme estudos clínicos. Em comparação, medicamentos como o Ozempic, da Novo Nordisk, atuam apenas sobre o GLP-1, o que reflete em diferenças nos resultados terapêuticos.

Debates sobre antecipação da quebra da patente no Brasil

No cenário legislativo, tramita um projeto de lei que propõe antecipar o fim da patente do Mounjaro, apoiando-se no argumento de que a entrada de genéricos no mercado reduziria os preços e ampliaria o acesso, especialmente para pacientes incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, essa proposta enfrenta críticas severas do setor farmacêutico, que aponta riscos à sustentabilidade do desenvolvimento de novos medicamentos e investimentos em inovação.

Estratégias da indústria para manutenção da exclusividade

Além das discussões legislativas, há possibilidade de que a Eli Lilly utilize mecanismos para estender o prazo da patente, prática ocasionalmente adotada por laboratórios para proteger seus produtos. A tentativa da Novo Nordisk em postergar a proteção do Ozempic não teve sucesso, mas o cenário permanece aberto para recursos e negociações que podem influenciar o futuro do Mounjaro.

Perspectivas futuras para o mercado de medicamentos contra obesidade e diabetes

Enquanto a patente do Mounjaro vigora, a Eli Lilly já desenvolve novos fármacos que prometem ampliar a oferta terapêutica, como a orforgliprona, um comprimido diário à base de GLP-1, e a retatrutida, um análogo triplo em caneta semanal, que pode levar a perdas de até 30% do peso corporal. Essas inovações indicam uma tendência de evolução constante no tratamento dessas condições, reforçando a importância do equilíbrio entre proteção da propriedade intelectual e acesso público.