Ricardo Kotscho e a arte de lidar com o cansaço e a obrigação de continuar escrevendo

Ricardo Kotscho reflete sobre o momento de parar de escrever diante do envelhecimento, inspirando-se em Rubem Alves e Mirian Goldenberg.
A reflexão sobre quando parar de escrever emerge como um tema sensível e pessoal para o jornalista Ricardo Kotscho, que compartilha sua experiência diante do envelhecimento e das transformações do mundo da comunicação.
A inspiração de Rubem Alves e a questão do cansaço
Kotscho se inspira na última crônica de Rubem Alves, “Despedida”, publicada em 2011, em que o autor revela o peso da obrigação de continuar brilhando mesmo quando se sente cansado e velho. Alves descreve o sentimento de “cansaço de todas as coisas” e a luta com a vontade de parar, algo que ressoa profundamente com a experiência de Kotscho, que em breve completará 78 anos.
O envelhecimento e suas limitações
O jornalista expõe o desafio do envelhecimento físico e mental, como dificuldades na locomoção, perda de memória e a lentidão no pensamento, que limitam sua capacidade de sair para buscar novidades. Essa realidade o faz refletir sobre a relevância do que escreve em um ambiente saturado de informações, onde a competitividade é intensa e a busca por cliques domina as plataformas.
A transformação do jornalismo e o papel do repórter
Kotscho critica a mudança no jornalismo, onde a reportagem de campo cede lugar à pesquisa online e ao trabalho remoto, sobretudo com o avanço da inteligência artificial. Ele destaca que os veículos perderam a concorrência para ter os melhores repórteres externos, tornando-se indiferenciados e vulneráveis à disseminação de fake news. Essa precarização do jornalismo impacta diretamente a qualidade e a originalidade das notícias.
A obrigação de escrever e o dilema do legado
Para o autor, a obrigação de produzir conteúdo, mesmo sem novidades, pesa como um fardo. Jornalistas e escritores sentem a pressão de surpreender a cada obra, mas o cansaço e a rotina dificultam essa tarefa. Kotscho questiona a necessidade de um novo livro quando já possui uma vasta obra e sente que as histórias não se renovam mais.
Sobrevivência, adaptação e home office
Apesar dos desafios físicos, Kotscho reconhece que o home office e as videoconferências lhe proporcionam uma segunda vida profissional, permitindo participar de reuniões e ancorar programas sem sair de casa. Essa adaptação tecnológica é um alívio em meio às limitações do corpo envelhecido.
A análise de Kotscho evidencia a complexidade de parar de escrever, que vai além do simples ato de abandonar uma atividade: envolve a aceitação do envelhecimento, a transformação da profissão e a busca por um legado significativo em meio a um cenário de constantes mudanças e pressões.
Fonte: noticias.uol.com.br
Fonte: O escritor Rubem Alves





