Queda de rendimento afeta ambulantes no Carnaval de São Paulo em 2026

Concorrência elevada e mudanças na estrutura impactam ganhos dos vendedores autônomos durante a festa

Queda de rendimento afeta ambulantes no Carnaval de São Paulo em 2026
Ambulantes durante o Carnaval no Ibirapuera, em São Paulo Foto:

A queda de rendimento dos ambulantes no Carnaval de São Paulo em 2026 reflete aumento da concorrência e desafios estruturais no evento.

Concorrência elevada e queda de rendimento dos ambulantes no Carnaval de São Paulo

A queda de rendimento ambulantes Carnaval São Paulo em 2026 tem sido uma realidade para muitos vendedores que atuam durante a festa. No circuito do Ibirapuera, principais protagonistas desse cenário como Fernando Nogueira e sua mãe Maria de Lourdes relatam que o aumento no número de vagas oferecidas pela prefeitura elevou drasticamente a concorrência, dificultando as vendas e impactando diretamente os ganhos.

Impactos do monopólio da venda de bebidas no circuito do Ibirapuera

O contrato de patrocínio firmado pela gestão Ricardo Nunes garantiu exclusividade para a venda de bebidas à indústria Ambev, que desembolsou R$ 30,2 milhões para essa exclusividade durante os desfiles dos blocos entre 7 e 22 de fevereiro. Os ambulantes, profissionais autônomos, são obrigados a adquirir os produtos dessa fornecedora para revenda, o que influencia o preço final e a margem de lucro, tornando o trabalho ainda mais desafiador para os vendedores cadastrados.

Dificuldades de infraestrutura e organização enfrentadas pelos ambulantes

Além da concorrência acirrada, a falta de infraestrutura adequada para os ambulantes é um problema recorrente. Relatos apontam para ausência de espaços de descanso e sanitários durante as longas jornadas de trabalho, agravada pela necessidade de formar filas desde as 16h para garantir acesso ao circuito no dia seguinte. A repressão violenta de agentes da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, que ocasionou perdas materiais e quebras de equipamentos, também contribuiu para o desgaste dos profissionais.

Diversificação da atuação e redução dos lucros na temporada carnavalesca

Para muitos ambulantes, como Tânia Araújo Soares, que costuma vender durante quase uma semana de festa, o esforço extra não tem compensado financeiramente. A renda que antes girava em torno de R$ 8.000 caiu para pouco mais de R$ 2.000 neste ano. A busca por locais com maior movimento, como Ibirapuera, aumenta a concentração de vendedores e a competição, enquanto outras regiões ficam menos exploradas, indicando uma possível falta de planejamento na distribuição dos profissionais pelo evento.

Recomendações e posicionamentos oficiais sobre a situação dos ambulantes

O Ministério Público do Trabalho emitiu recomendação no dia 13 de fevereiro para que a Prefeitura de São Paulo, as secretarias municipais e a Ambev garantissem condições adequadas de infraestrutura aos ambulantes durante o Carnaval. A gestão municipal destacou que o cadastro dos vendedores integra as etapas da organização da festa, realizado pela Ambev, que afirma cumprir rigorosamente o edital de patrocínio, oferecendo kits e estruturas para os vendedores autorizados. Apesar disso, os relatos dos ambulantes indicam que ainda há desafios significativos a serem superados para assegurar um ambiente de trabalho justo e rentável no Carnaval de São Paulo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br