Com 26 anos de carreira, a rainha de bateria do Império Serrano destaca a conexão espiritual e as transformações sociais no samba

Quitéria Chagas destaca o corpo como narrativa viva do Carnaval e reflete sobre sua trajetória no Império Serrano e sua conexão com Conceição Evaristo.
Quitéria Chagas Carnaval: corpo e história unidos na Marquês de Sapucaí
A uma semana do desfile oficial na Marquês de Sapucaí, Quitéria Chagas Carnaval já pulsa intensamente no coração da Sinfônica do Samba. Com 26 anos de experiência, a rainha de bateria do Império Serrano revela como o corpo é um narrador vivo das histórias e das lutas da comunidade preta no samba. A atriz e psicóloga enfatiza que sua preparação física e emocional é gravemente influenciada pela forte ligação espiritual que carrega, especialmente neste ano, em que o enredo da escola homenageia a escritora Conceição Evaristo.
A influência de Conceição Evaristo no enredo do Império Serrano e a transformação da fantasia de Quitéria
O enredo do Império Serrano em 2026 ganha contornos espirituais e literários com a homenagem a Conceição Evaristo, referência na literatura brasileira contemporânea. Quitéria Chagas destacou que a conexão com a escritora foi tão profunda que modificou sua fantasia às vésperas do desfile, atendendo a uma exigência da imortal da Academia Mineira de Letras. Essa mudança simboliza a fusão das raízes culturais da escola com a ancestralidade preta, representando mulheres fortes como Dona Ivone Lara e Tia Eulália, que também enfrentaram desafios históricos consideráveis.
A trajetória e as barreiras superadas por Quitéria Chagas no Carnaval e na arte
Quitéria relembra os anos 1990, quando a pretitude encontrava exclusão no Carnaval e o posto de rainha de bateria era restringido pela comercialização e pelo racismo velado. Questionando por que mulheres negras não podiam ocupar esses espaços, ela enfrentou preconceitos e constrangimentos, que a impulsionaram a construir uma carreira sólida como atriz e sambista. Mesmo com reconhecimento em outras áreas, Quitéria destaca a persistente resistência do mercado em valorizar as artistas do samba durante o ano inteiro, evidenciando a continuidade do “pacto da branquitude” que limita a valorização da cultura preta.
Preparação física, mental e espiritual como pilares da performance de Quitéria Chagas
Longe dos padrões estéticos impostos, a rainha de bateria adotou uma disciplina de atleta que prioriza a performance e a prevenção de lesões, mantendo o foco no dia do desfile. Ela ressalta a importância da concentração e do respeito aos seus rituais de fé, incluindo a presença constante de seu pai de santo, que a acompanha para garantir proteção espiritual. Essa tríade — corpo, mente e alma — é fundamental para que o samba e a ancestralidade vibrem intensamente na passarela.
O Carnaval como ato político e espaço de ancestralidade para Quitéria Chagas
Para Quitéria Chagas, o Carnaval transcende a festa e torna-se um ato político marcado pela resistência e afirmação da identidade preta. Mesmo diante do luto pessoal recente e dos desafios da maternidade, ela encontra no Império Serrano o seu centro emocional e espiritual. A vibração do agogô e o toque da Sinfônica representam mais do que música: são a expressão viva da ancestralidade que pulsa na bateria, na escola e no público. Nesse momento, o corpo fala e conta a história de uma comunidade que luta e celebra sua existência com magia e força.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Alexandre Macieira/Riotur





