Raízen negocia conversão de dívidas bilionárias em ações para reestruturação

Empresa busca converter cerca de R$29 bilhões em capital acionário e viabilizar vendas de ativos para aliviar passivos

Raízen negocia conversão de dívidas bilionárias em ações para reestruturação
Complexo industrial da Raízen em operação no Brasil. Foto: Divulgação

Raízen negocia converter R$29 bilhões em dívidas em ações para avançar na reestruturação e venda de ativos, incluindo refinaria na Argentina.

A Raízen negocia conversão de dívidas bilionárias em ações, buscando solucionar o impasse financeiro que envolve cerca de R$65 bilhões em débitos. As conversas começaram na terça-feira e avançam para acelerar a aprovação da reestruturação extrajudicial prevista, com prazo aproximado de dois meses. A joint venture entre Shell e Cosan, maior produtora mundial de açúcar e etanol, enfrenta pressão para ajustar sua estrutura de capital e garantir o suporte dos credores, nacionais e internacionais, no processo.

Detalhes da negociação entre Shell, Cosan e credores sobre dívida

A proposta principal é a troca de aproximadamente R$29 bilhões em dívida por participação acionária, o que permitiria a Raízen reduzir seus passivos financeiros e facilitar a venda de ativos estratégicos avaliados em cerca de R$10 bilhões. O acordo extrajudicial, anunciado recentemente, ainda está sujeito a ajustes principalmente no volume da conversão de dívida em capital. A Shell comprometeu R$3,5 bilhões para apoiar a empresa, enquanto a Cosan enfrenta restrições financeiras que dificultam aportes equivalentes.

Impactos das condições climáticas e investimentos nas finanças da Raízen

O cenário adverso de secas e incêndios nos canaviais afetou diretamente a produtividade e os volumes de moagem de cana, pressionando a receita da Raízen. Além disso, o alto nível de investimentos recentes contribuiu para a complexidade financeira da companhia, exigindo soluções emergenciais para reequilibrar suas contas. O contexto reforça a necessidade de um acordo que contemple prazos e condições que viabilizem a continuidade operacional e o cumprimento dos compromissos.

Negociações em curso e potenciais vendas de ativos no Brasil e na Argentina

Paralelamente às conversas sobre a dívida, a Raízen mantém negociações para a venda de uma refinaria e uma rede de postos de combustíveis na Argentina, operação que pode alcançar pelo menos US$1 bilhão. A incerteza sobre a reestruturação tem impactado diretamente esses processos de venda, os quais são essenciais para melhorar a liquidez da empresa. A complexidade das negociações envolve credores internacionais e busca garantir um apoio robusto para o plano global de recuperação.

Desafios e perspectivas para aprovação final da reestruturação da Raízen

Além da conversão da dívida em ações, os credores pressionam por uma injeção de capital mais substancial dos acionistas Shell e Cosan. A aprovação final dependerá da capacidade de alinhamento entre os interesses dos envolvidos e da concretização dos aportes financeiros necessários. O sucesso dessas negociações será decisivo para a estabilidade financeira da Raízen e para sua posição no mercado global de combustíveis e biocombustíveis.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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