Líder do governo no Congresso diz que filho de Jair Bolsonaro offende o país de nação estrangeira após derrota eleitoral

Randolfe Rodrigues classifica comunicado de Flávio Bolsonaro como afronta com teor golpista. Texto foi republicado sem menção a 'verdadeiro presidente'.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, afirmou nesta quarta-feira (28) que a carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é uma “afronta com graus de ridicularidade”. O comunicado foi divulgado após a derrota de Flávio nas eleições presidenciais de 25 de outubro, quando se autoproclamou “verdadeiro presidente do Brasil”. Minutos depois, o senador republicou o texto removendo essa frase e afirmando ser o “líder do Brasil” e da oposição, apesar de estar nos Estados Unidos.
“É uma afronta porque é uma manifestação de um candidato à presidência da República derrotado, que vai para uma nação estrangeira, para uma potência estrangeira, e de lá incensa essa nação estrangeira contra o Brasil. Além de ser triste, não tem precedente na história nacional de um candidato derrotado à presidência da República ofender o Brasil como ele está ofendendo”, disse Randolfe em entrevista a jornalistas no Senado Federal.
Randolfe acrescentou ser “lamentável, sobretudo para os eleitores dele, sobretudo para a oposição” a postura do filho de Jair Bolsonaro (PL).
Na carta, Flávio afirma ter visto “estarrecido, uma fraude eleitoral se concretizar” em referência ao resultado do pleito. O comunicado, porém, não apresenta provas de irregularidade na votação ou apuração. Flávio questiona a medida do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, descrevendo-o como “ex-advogado do Lula”, alegando que isso permitiu “uma impossibilidade matemática”: Lula ter somado mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e segundo turno. Os dados oficiais não sustentam essa tese.
Em nota divulgada na terça-feira (27), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h. Das 497.333 seções eleitorais, 437.065 concluíram os trabalhos até as 17h10, e 24.268 funcionaram depois desse horário.
O Palácio do Planalto não comentou oficialmente a carta de Flávio. Aliados do presidente Lula se posicionaram em desacordo com as afirmações do senador. A coligação composta pelo PT, PCdoB, PV, PSB, Rede e PDT afirmou que Flávio “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira” e que a contestação do resultado não se sustenta, visto que o pedido de prorrogação da votação, concedido por Cristiano Zanin, foi solicitado pelo PT e PL.







