Reduzir a superlotação em prisões depende de prender mais criminosos

Entenda como aumentar a punição e usar penas proporcionais pode combater a impunidade e diminuir a criminalidade

Reduzir a superlotação em prisões depende de prender mais criminosos
Prisão superlotada evidencia o desafio do sistema penal brasileiro Foto: Agência Brasília

Para reduzir a superlotação nas prisões brasileiras, é fundamental aumentar a punição efetiva aos criminosos e revisar penas para delitos leves.

O debate sobre o sistema penitenciário brasileiro costuma destacar que há “gente demais presa”, mas raramente aborda que também há muitos criminosos soltos. Esse fenômeno da impunidade é paradoxalmente um dos motores da superlotação carcerária no país.

Impunidade e superlotação: o lado pouco discutido

Conforme relatório do Instituto Sou da Paz, apenas cerca de um terço dos homicídios no Brasil são esclarecidos. Para outros crimes, o índice é ainda mais preocupante: em São Paulo, só 2% dos furtos foram solucionados em 2023, e no país, apenas 1% dos estupros tiveram seus autores identificados. Isso indica que o risco de punição para criminosos é baixo, fazendo com que o crime seja uma aposta de baixo custo e alto benefício para muitos.

Efeitos da punição na criminalidade

Condenar mais criminosos tem dois impactos importantes. Primeiro, o chamado “efeito incapacitação”: presos não cometem novos crimes. Segundo, o “efeito dissuasão”, onde a certeza da punição desestimula futuros delitos. Estudos, como os do National Institute of Justice dos EUA, indicam que a probabilidade de ser punido é um fator muito mais eficaz para evitar crimes do que a severidade da pena.

Penas proporcionais e punição certa para crimes leves

No Brasil, o foco costuma ser penas longas e severas, inclusive para delitos menores, como furtos ou infrações relacionadas a drogas. Entretanto, a adoção de penas mais brandas, mas aplicadas com maior certeza e rapidez, pode ser mais eficiente para controlar a criminalidade e, ao mesmo tempo, reduzir a superlotação carcerária. A combinação de punições proporcionais com aplicação consistente ajuda a evitar prisões desnecessárias e a garantir justiça.

Estratégias para reduzir a impunidade

Para aumentar a certeza da punição, são necessárias ações integradas, como policiamento orientado por dados, uso de câmeras e tecnologias de monitoramento inteligente. Além disso, é fundamental melhorar a cooperação entre polícia, Ministério Público e Judiciário, acompanhada de mecanismos rigorosos de controle e respeito aos direitos humanos, incluindo uma Defensoria Pública estruturada e treinamento adequado das forças de segurança.

Justiça eficiente e direitos humanos

Ao aplicar punições de forma consistente, proporcional e inteligente, o sistema penal brasileiro pode se tornar mais justo e eficaz. Essa transformação reduziria não apenas a impunidade, mas também a criminalidade e, consequentemente, a superlotação nas prisões. É um caminho que exige equilíbrio entre rigor e respeito aos direitos fundamentais.

No espírito da reflexão e mudança, o editor Michael França sugere uma música para os leitores do espaço “Políticas e Justiça”: “Changes”, de 2Pac e Talent.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Agência Brasília