Lula sanciona PLP 108/2024 que consolida a transição para o novo sistema tributário até 2033
A reforma tributária avança com a sanção presidencial do PLP 108/2024, instituindo o Comitê Gestor do IBS e iniciando a transição gradual até 2033.
Confira a programação da transição da reforma tributária
A reforma tributária sancionada em 13 de janeiro de 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece um calendário claro para a implementação do novo sistema tributário brasileiro, que inclui a criação do Comitê Gestor do IBS e o início da transição gradual dos impostos. As principais datas previstas são:
2026: fase de testes e adaptação dos sistemas, sem cobrança efetiva dos novos tributos;
2027: início da cobrança plena da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), extinguindo o PIS e a Cofins;
2029 a 2032: transição progressiva dos impostos estaduais e municipais, com redução gradual do ICMS e do ISS e elevação do IBS;
2033: completa aposentadoria do sistema antigo, incluindo a extinção gradual do IPI.
Estrutura e responsabilidades do Comitê Gestor do IBS
O PLP 108/2024 cria o Comitê Gestor do IBS, órgão fundamental para a administração do novo imposto que unifica a tributação sobre bens e serviços a nível estadual e municipal. Com sede em Brasília, o Comitê terá autonomia técnica, administrativa e financeira e será responsável pela coordenação de aproximadamente R$ 1 trilhão anuais quando em plena operação. A composição do Conselho Superior será paritária, com 54 membros divididos igualmente entre representantes dos estados e municípios, assegurando o equilíbrio do pacto federativo.
A diretoria executiva do Comitê terá nove áreas, incluindo Fiscalização, Tributação e Tesouraria, com mandato de quatro anos. Será adotada a alternância na presidência entre representantes estaduais e municipais, e a participação mínima de 30% de mulheres na diretoria reforça o compromisso com a diversidade.
Impactos e benefícios da reforma tributária para a economia brasileira
A reforma tributária busca modernizar o sistema de impostos sobre o consumo, promovendo maior simplicidade, transparência e eficiência na arrecadação. A unificação dos tributos em CBS (federal) e IBS (estadual e municipal) forma um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, que tende a reduzir a cumulatividade e melhorar o ambiente de negócios.
O processo gradual de transição, com etapas até 2033, visa evitar choques econômicos e proporcionar adaptação de empresas e administrações públicas. Além disso, a reforma inclui regimes diferenciados com alíquotas reduzidas para setores essenciais como saúde, educação, medicamentos e cesta básica, promovendo justiça fiscal. Mecanismos de cashback beneficiarão famílias de baixa renda, ampliando a equidade do sistema.
Plataforma digital para monitoramento e apuração da arrecadação
A Receita Federal, em parceria com o Serpro, desenvolveu uma plataforma digital integrada ao Gov.br para operacionalizar a nova tributação. Esse portal oferecerá funcionalidades como calculadora de tributos, apuração assistida e monitoramento em tempo real dos valores a pagar e créditos a receber pelas empresas.
Essa inovação tecnológica promete aumentar a transparência e a eficiência na gestão tributária, facilitando o cumprimento das obrigações fiscais e o controle por parte das autoridades. O uso de tecnologias digitais é um passo decisivo para a modernização do sistema tributário brasileiro.
Desafios e perspectivas para a implementação da reforma tributária
Apesar dos avanços, a reforma tributária enfrenta desafios, como a necessidade de coordenação entre entes federativos e a adaptação dos contribuintes ao novo sistema. A criação do Comitê Gestor do IBS com composição paritária é uma resposta institucional para mitigar conflitos e garantir uma transição harmônica.
A gradualidade da implementação busca preservar a estabilidade econômica, mas exige acompanhamento rigoroso e ajustes contínuos para evitar impactos negativos. O sucesso da reforma dependerá do engajamento dos governos estaduais e municipais, do setor produtivo e da sociedade civil.
A expectativa é que, ao final do processo em 2033, o Brasil disponha de um sistema tributário mais simples, eficiente e justo, capaz de estimular o desenvolvimento econômico e fortalecer o pacto federativo.





