Renováveis buscam incluir jabuti na medida provisória dos data centers

Setores eólico e solar tentam obter compensações financeiras por cortes na geração de energia dentro da MP 1.318 de 2025

Setores de energia renovável tentam incluir compensações por cortes na geração em medida provisória dos data centers.

Contexto da MP 1.318 de 2025 e seus impactos para os setores renováveis

A medida provisória 1.318 de 2025, também conhecida como Redata, foi criada para incentivar o setor de data centers no Brasil por meio de benefícios fiscais, com vigência prevista de cinco anos. No entanto, renováveis buscam incluir jabuti nessa MP para garantir compensações específicas para usinas eólicas e solares diante de cortes na geração de energia elétrica. Essas iniciativas evidenciam o esforço do setor renovável para avançar na legislação que regula a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Estratégias das renováveis para obter ressarcimento por cortes na geração

As emendas apresentadas propõem que os cortes motivados por sobreoferta no SIN sejam registrados e que os geradores tenham direito à remuneração baseada no potencial máximo de geração e nos contratos vigentes ou no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Além disso, os titulares de outorga poderiam receber encargos de compensação, desde que renunciem a direitos e desistam de ações judiciais relacionadas. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) seria responsável pelos ajustes financeiros, corrigidos pela taxa Selic até o pagamento.

Papel da Aneel e do ONS na regulamentação e priorização do uso de energia

Outra proposta nas emendas é fortalecer a atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir que a energia gerada por centrais renováveis atenda prioritariamente as cargas conectadas às suas instalações antes de cortes ou reduções. Esse mecanismo visa maximizar o aproveitamento da energia limpa e diminuir impactos sobre consumidores-geradores.

Mecanismos de compensação para consumidores-geradores afetados por cortes

Para proteger os consumidores que também geram energia, as emendas preveem a criação de créditos de energia elétrica para compensar interrupções no fornecimento decorrentes de cortes ou reduções na geração. Esse modelo assegura que não haja encargos indevidos, estimula o uso eficiente da energia renovável e protege o atendimento aos clientes finais.

Perspectivas e desafios para a aprovação da MP e das emendas

Apesar da aprovação da urgência na Câmara, o governo federal planeja deixar a MP caducar, o que faria com que todas as emendas fossem rejeitadas automaticamente. No entanto, o setor renovável prepara-se para pressionar o Congresso a derrubar vetos presidenciais relacionados a demandas similares na reforma do setor elétrico, mantendo o debate vivo. Essa articulação demonstra a relevância estratégica das compensações para a sustentabilidade econômica das usinas renováveis.

Propostas relacionadas à isenção tributária para celulares 5G na mesma MP

Além das questões energéticas, algumas emendas propõem zerar as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins na venda a varejo de smartphones 5G com preço até R$ 2.000. Para garantir a desoneração, os aparelhos devem sair de fábrica com os aplicativos Gov.br e Celular Seguro BR instalados. Essa medida tem potencial para aumentar o acesso à internet móvel de alta velocidade, especialmente entre as camadas mais populares da população.

Considerações finais sobre o impacto da MP para o setor tecnológico e energético

O Redata busca fomentar os investimentos em data centers com incentivos fiscais, condicionados a compromissos como direcionamento de parte da capacidade ao mercado interno e investimentos em inovação e sustentabilidade. A inclusão dos jabutis ampliaria o escopo da MP, integrando demandas do setor elétrico renovável, o que reflete a complexidade e interdependência das políticas públicas nos campos da tecnologia e energia limpa no Brasil.