Requalificação do Anhangabaú propõe parque público aberto e revitalização do centro de São Paulo

Especialista defende revisão da concessão e uso misto de prédios públicos para fortalecer o Vale do Anhangabaú

Requalificação do Anhangabaú propõe parque público aberto e revitalização do centro de São Paulo
Vale do Anhangabaú tem acesso restrito em dias de eventos privados. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Requalificação do Anhangabaú propõe abrir o parque ao público, revisar concessão e estimular uso misto em prédios do centro para atrair moradores e investimentos.

Avançar pela rua Formosa sob o viaduto do Chá no centro histórico de São Paulo tem se tornado um desafio para pedestres, especialmente em dias de grandes eventos no Vale do Anhangabaú. Desde que a iniciativa privada assumiu a gestão da área em dezembro de 2021, o acesso ao espaço de 43 mil m² é frequentemente restrito para apresentações musicais e outras atividades que cobram ingresso, limitando o uso público do parque urbano que foi reconstruído com um investimento de R$ 105 milhões na gestão do então prefeito Bruno Covas.

Proposta para a requalificação do Anhangabaú

O arquiteto Silvio Oksman, especialista em modernização de edificações antigas, defende uma profunda revisão da concessão atual do Vale do Anhangabaú com o objetivo de garantir que o espaço seja aberto e gratuito ao público em sua totalidade. A ideia principal é que o local deixe de funcionar como uma arena reservada para eventos privados e se transforme em um parque urbano acessível a todos, com serviços e atrações permanentes para a população.

Segundo Oksman, essa mudança contribuiria para reduzir os conflitos gerados pelo excesso de barulho e pelo fechamento do espaço, problemas que desestimulam investimentos imobiliários residenciais no entorno, fundamental para o repovoamento do centro da cidade.

Uso misto e concessões de prédios públicos

O arquiteto aponta que as bordas do Vale do Anhangabaú são marcadas por uma série de prédios antigos, muitos deles pertencentes ao poder público municipal e atualmente subutilizados. A proposta inclui a concessão desses imóveis para a iniciativa privada, com incentivos para a transformação em usos múltiplos, tais como habitação social, residências de classe média e escritórios.

Os recursos advindos dessas concessões seriam vinculados à manutenção e operação do parque, garantindo sua sustentabilidade financeira e possibilitando a reativação de equipamentos como os 850 jatos d’água instalados sob o piso do vale, que hoje permanecem desligados a maior parte do tempo.

Incentivos para revitalização e urbanismo tático

Além da concessão de imóveis, o plano prevê a criação de novos estímulos municipais para incentivar a recuperação de prédios no entorno, aproveitando a legislação que já oferece benefícios como isenções fiscais e reembolso parcial de obras. Essa estratégia visa qualificar a região de forma integrada, tornando-a mais atraente para moradores e investidores.

Oksman também sugere o uso de urbanismo tático, com a instalação temporária de cadeiras, mesas e equipamentos esportivos, tornando o Anhangabaú um espaço mais convidativo e dinâmico para o público, reforçando sua função como um parque urbano vivo.

Reativação de equipamentos e atração do mercado imobiliário

Equipamentos criados na reforma, como os quiosques laterais, que hoje permanecem fechados e cercados, seriam reativados para oferecer serviços aos frequentadores. A revitalização completa do Anhangabaú tem o potencial de gerar um efeito multiplicador, atraindo o mercado imobiliário para realizar retrofits e novas construções no centro e impulsionando o repovoamento da região.

Segundo o arquiteto, “a qualificação do Anhangabaú pode qualificar seu entorno imediato de forma brutal”, transformando o local em um cartão postal funcional e vibrante para a capital paulista.

Situação atual e respostas

O edifício Ermírio de Moraes, conhecido como antigo hotel Esplanada, localizado nas proximidades, abriga atualmente as secretarias de Agricultura e Turismo do governo estadual, sem estudos para desocupação. Até a publicação deste texto, a gestão municipal e a concessionária Viva o Vale não se manifestaram sobre as propostas do especialista ou sobre eventuais alterações na concessão.

A revisão da concessão e a adoção das medidas propostas sinalizam um caminho para que o Vale do Anhangabaú deixe de ser apenas um palco para eventos isolados e se torne um parque público plenamente funcional, capaz de integrar lazer, cultura, habitação e desenvolvimento urbano sustentável no coração de São Paulo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Eduardo Knapp/Folhapress