Resistências das empresas ao novo modelo de jornada

Mudança na escala de trabalho gera polêmica entre setores produtivos e trabalhadores.

Resistências das empresas ao novo modelo de jornada
Manifestação pelo fim da escala 6×1. Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images.

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a adoção do modelo 5×2 enfrenta resistências no setor produtivo, que teme impactos econômicos.

A mudança proposta na jornada de trabalho no Brasil, que visa substituir a escala 6×1 pela 5×2, vem gerando intensos debates e resistências no setor produtivo. Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2025 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o tema ganhou destaque e polarizou opiniões entre empresários e trabalhadores.

O contexto da mudança na jornada

A nova proposta sugere que os trabalhadores passem a ter cinco dias de trabalho e dois de descanso, ao invés do modelo atual de seis dias seguidos de trabalho e um dia de folga. Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Nexus, a maioria da população brasileira apoia a mudança, com 74% dos nordestinos a favor e apenas 56% na região Sul, que é a menos favorável. No entanto, as entidades que representam os setores produtivos, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), expressam preocupações significativas sobre as possíveis consequências econômicas.

Detalhes da proposta de alteração

As instituições alegam que a redução da carga horária para 36 horas semanais poderia resultar em um impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) do país, com a CNC afirmando que a discussão sobre a jornada de trabalho deve ser feita através de negociações coletivas entre patrões e empregados, respeitando as particularidades de cada setor. A CNI, em nota, aponta que a mudança proposta pode afetar não apenas a produtividade, mas também a geração de empregos formais no Brasil.

Impactos e reações

Além das preocupações econômicas, a proposta suscita reações diversas nas esferas política e social. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) defende que a redução da jornada de trabalho, sem diminuição salarial, é uma forma de corrigir desigualdades históricas e melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Em contraste, o presidente da CNI, Ricardo Alban, argumenta que o foco deve estar em problemas mais urgentes que a indústria enfrenta, como a competitividade no mercado global.

Caminho para a aprovação

Com a proposta já aprovada pela CCJ, o próximo passo é a votação no Plenário do Senado, onde a aprovação deve ocorrer em dois turnos. Se aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deverá passar por um processo semelhante. O governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se posiciona a favor do fim da escala 6×1, o que pode se tornar um ativo importante para sua campanha de reeleição em 2026. A ministra Gleisi Hoffmann, por exemplo, associou a proposta à melhoria das condições de vida dos trabalhadores, destacando a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil como um avanço nesse sentido.

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil está longe de ser resolvido, mas a pressão para a mudança é clara, refletindo as aspirações de uma parte significativa da população que busca melhores condições de trabalho.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images