Investigações revelam conexões entre resort no Paraná, familiares do ministro do STF e fundos suspeitos

Resort no Paraná vinculado a familiares de Dias Toffoli está no centro de questionamentos durante apuração do escândalo do Banco Master.
O resort Tayayá, localizado no Paraná, tornou-se um ponto central de uma polêmica envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), justamente no momento em que o magistrado julga o escândalo do Banco Master. As conexões entre o empreendimento turístico e familiares do ministro ganharam destaque em meio às investigações que apuram fraudes financeiras.
Relações societárias e transações financeiras
Segundo registros oficiais, o Tayayá Resort já teve no seu quadro societário empresas ligadas diretamente aos irmãos de Dias Toffoli, Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. Em outubro de 2025, um fundo de investimento administrado pela financeira Reag — instituição mencionada na operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro para o PCC — realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para adquirir ações do resort.
A Reag também investiu R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, empresa que compartilha endereço com o Tayayá e contou com a participação societária do primo do ministro, Mario Umberto Degani. Essas ligações reforçam o entrelaçamento entre o resort e familiares de Toffoli, bem como sua provável conexão com fundos envolvidos em operações suspeitas.
O contexto do Banco Master e as suspeitas
O Banco Master e fundos administrados pela Reag estiveram no centro de um complexo esquema financeiro. Relatório do Banco Central encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que entre julho de 2023 e julho de 2024 foram realizadas operações com falhas graves de gestão, risco e liquidez, totalizando R$ 11,5 bilhões. Além disso, há suspeitas de que fundos foram usados para pulverizar recursos em nome de terceiros, sem garantias adequadas.
A operação Carbono Oculto, que envolve a Reag, investiga justamente essas práticas ilícitas, ampliando as dúvidas sobre as transações relacionadas ao Tayayá Resort e seus investidores.
Apoio do Judiciário local e homenagens
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) revelou ter pago R$ 450 mil em diárias para servidores que prestaram apoio em segurança e transporte para uma autoridade do STF em Ribeirão Claro, cidade onde está localizado o resort e onde o ministro Toffoli recebeu o título de cidadão honorário em 2017.
O decreto que concedeu o título valoriza a “constante atenção” do ministro ao município, especialmente no desenvolvimento turístico. Em 2019, Toffoli retornou à cidade para a inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, em homenagem ao pai do ministro, viagem realizada em avião da Força Aérea Brasileira.
Movimentos políticos e defesa oficial
Diante das revelações, o deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou pedidos de investigação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar supostas irregularidades na conduta de Toffoli, incluindo possível participação econômica no Tayayá Resort.
Em resposta, o presidente do STF, Edson Fachin, emitiu nota pública em defesa do ministro, destacando que a corte atua conforme a Constituição, com respeito ao devido processo legal e à supervisão judicial regular. Fachin reforçou que o Supremo não se curva a ameaças ou intimidações e que eventuais inconsistências poderão ser corrigidas após o recesso.
Considerações finais
O caso envolvendo o resort no Paraná e seus vínculos familiares com o ministro Dias Toffoli amplia o debate sobre transparência e possíveis conflitos de interesse no âmbito do Supremo Tribunal Federal, especialmente no contexto do delicado processo do Banco Master. As investigações em curso e o acompanhamento da opinião pública serão cruciais para esclarecer os fatos e assegurar a integridade das instituições brasileiras.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: STF





