Primeira edição do exame nacional aponta deficiências críticas em cursos de medicina e potenciais riscos à saúde pública
Resultados do Enamed mostram que um terço dos cursos de medicina avaliados não atingiu notas satisfatórias, levantando alertas para a saúde pública.
Os resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) divulgados recentemente pelos ministérios da Educação e da Saúde trouxeram à tona uma realidade preocupante sobre a formação dos futuros médicos no Brasil. A avaliação, que teve sua primeira edição realizada em 2025, analisou 351 cursos de medicina em todo o país, revelando que um terço deles não alcançou as notas consideradas satisfatórias.
Contexto e objetivo do Enamed
Criado pelo governo Lula em abril de 2025, o Enamed tem como principal objetivo medir a proficiência dos estudantes de medicina que estão no último ano do curso, antes de ingressarem definitivamente no mercado de trabalho. A avaliação é anual e obrigatória, buscando estabelecer um padrão mínimo de qualidade para a formação médica no país.
Resultados alarmantes e suas implicações
Dos 351 cursos participantes, 99 estão sujeitos a punições que vão desde o veto a novas matrículas até a suspensão do financiamento estudantil (Fies). A Associação Médica Brasileira (AMB) classificou o cenário como alarmante, ressaltando que a baixa performance pode representar riscos diretos à saúde dos pacientes.
Gestores e especialistas ouvidos apontam que o Enamed confirmou problemas já perceptíveis na prática médica, como a inadequação na formação dos profissionais que pode levar a decisões clínicas equivocadas e desperdício de recursos públicos e privados.
Reações das instituições e debates
Enquanto entidades médicas defenderam a transparência e a necessidade de medidas rigorosas para garantir a qualidade, algumas instituições de ensino superior criticaram a avaliação. Essas entidades pediram a suspensão das punições e tentaram impedir a divulgação dos resultados, argumentando que o exame não refletiria adequadamente o contexto dos cursos ou as complexidades do processo formativo.
Análise especialista sobre o impacto na saúde pública
Eliana Amaral, vice-presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de São Paulo e professora na Unicamp, analisou os dados do Enamed em um episódio do podcast Café da Manhã. Ela destacou que os gargalos evidenciados pelo exame apontam para a necessidade urgente de revisão curricular, maior investimento em infraestrutura, e capacitação docente para reverter esse quadro preocupante.
As consequências dessas deficiências podem ser sentidas nos serviços de saúde, com profissionais menos preparados para os desafios clínicos e epidemiológicos do Brasil, impactando negativamente na qualidade do atendimento à população.
Caminhos para a melhoria da formação médica
A divulgação da primeira edição do Enamed abre espaço para debates sobre a qualidade da educação médica no país. A manutenção e aprimoramento do exame são vistos como necessários para estimular a melhoria dos cursos, além de garantir que os futuros médicos estejam aptos para atuar com segurança e competência.
O desafio envolve múltiplos atores, incluindo governos, instituições de ensino, conselhos profissionais e a própria sociedade, que depende diretamente do trabalho desses profissionais para a garantia do direito à saúde.
Sobre o podcast Café da Manhã
O diagnóstico detalhado sobre a formação médica no Brasil foi tema do episódio do podcast Café da Manhã, apresentado pelas jornalistas Gabriela Mayer e Magê Flores, com produção de Gustavo Luiz e Lucas Monteiro. O programa é disponibilizado semanalmente no Spotify, trazendo análises aprofundadas sobre temas relevantes para a sociedade brasileira.
A discussão sobre os resultados do Enamed reforça a importância da avaliação constante da qualidade do ensino superior, especialmente em áreas essenciais como a medicina, que impactam diretamente a vida das pessoas e a eficácia do sistema de saúde nacional.





