Fundos do Rio de Janeiro mantiveram aplicações em ativos do Banco Master mesmo após recomendação de suspensão do Tribunal de Contas

Rioprevidência manteve investimentos no Banco Master mesmo após alertas do TCE-RJ sobre riscos e recomendação para suspender aplicações.
O Rioprevidência, fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro, tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal após manter investimentos em ativos vinculados ao Banco Master mesmo após alertas oficiais do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Alerta inicial do TCE-RJ
Em maio de 2025, o TCE-RJ emitiu um alerta ao Rioprevidência devido à concentração excessiva de recursos em ativos relacionados ao Banco Master. Essa situação ia contra os princípios básicos da gestão financeira pública, como a diversificação e a prudência na alocação dos recursos, fundamentais para minimizar riscos e garantir a segurança dos investimentos previdenciários.
Persistência nos investimentos e novas cobranças
Apesar da recomendação inicial, o Rioprevidência não interrompeu as aplicações. Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas voltou a cobrar providências, emitindo uma tutela inibitória que determinava a suspensão imediata de novos investimentos em produtos do Banco Master. No entanto, o fundo continuou aplicando recursos, evidenciando uma grave omissão por parte da presidência da autarquia previdenciária.
Segundo documentos do TCE, a gestão do fundo não adotou medidas para corrigir as irregularidades apontadas, e sequer respondeu à última comunicação do Tribunal. Além da concentração no Banco Master, foram identificadas outras falhas que sugerem irresponsabilidade na gestão dos recursos, comprometendo a segurança financeira dos ativos públicos.
Início da investigação da Polícia Federal
Diante das irregularidades, a Polícia Federal deflagrou em 23 de janeiro de 2026 a Operação Barco de Papel, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. A ação é fruto de investigação iniciada em novembro de 2025 que apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Essas operações envolveram a aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Entre os investigados estão Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente do Rioprevidência; Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimento interino, que foi exonerado em dezembro.
Implicações para a gestão pública
O caso levanta questões fundamentais sobre a governança dos fundos públicos e a necessidade de maior transparência e responsabilidade na gestão dos recursos previdenciários. A concentração de investimentos em um único banco, especialmente após alertas oficiais, revela falhas graves nos controles internos e na supervisão das aplicações.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer se houve má gestão, negligência ou práticas ilegais que possam ter comprometido os recursos destinados à previdência dos servidores do Rio de Janeiro.
Repercussão e próximos passos
Até o momento da publicação, o Rioprevidência não se posicionou sobre a operação e os questionamentos levantados pelo TCE-RJ e pela Polícia Federal. A continuidade das investigações poderá resultar em medidas judiciais e administrativas, visando garantir a recuperação dos valores e a responsabilização dos envolvidos.
Este episódio reforça a importância da atuação rigorosa dos órgãos de controle e da fiscalização constante para preservar a integridade dos fundos públicos e a confiança da sociedade na gestão do patrimônio público.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Governo do Rio de Janeiro





