Pesquisa inédita revela que o principal desafio dos líderes de infraestrutura é o risco financeiro, impactado por altas taxas de juros e cenário político

Uma pesquisa revela que o risco financeiro é a maior preocupação dos líderes do setor de infraestrutura no Brasil, seguido por questões regulatórias e desafios políticos.
Risco financeiro na infraestrutura é a maior preocupação dos líderes do setor
A pesquisa inédita “Infraestrutura: perspectivas e oportunidades de investimentos”, realizada pela consultoria KPMG, revelou que o risco financeiro na infraestrutura é a maior preocupação dos tomadores de decisão no Brasil. Em uma amostra de cem líderes do setor, incluindo presidentes, conselheiros e executivos, 41% indicaram o risco financeiro como o maior desafio. Segundo Cláudio Graef, sócio responsável pela área de entrega e gestão de ativos da KPMG para a América Latina, a elevada taxa de juros atual exerce um papel central nesse cenário, desestimulando investimentos e prejudicando a industrialização dos projetos.
Impactos das altas taxas de juros e casos recentes de recuperação judicial
O ambiente financeiro adverso é reforçado por recentes pedidos de recuperação extrajudicial por empresas de grande porte, como a Raízen e o grupo varejista GPA, evidenciando a fragilidade econômica enfrentada em alguns segmentos da infraestrutura. Os investimentos nessa área são tipicamente de longo prazo, o que torna as previsões financeiras sensíveis às variações nas taxas de juros. Apesar de haver estudos e previsões detalhadas para mitigar riscos, a apreensão financeira persiste entre os investidores e líderes do setor, limitando o potencial de expansão e modernização da infraestrutura brasileira.
Contexto político e desafios regulatórios influenciam o setor
Além do risco financeiro, outras preocupações relevantes destacadas pela pesquisa incluem as questões regulatórias (32%), incertezas trabalhistas e escassez de mão de obra qualificada (29%), bem como o cenário político (27%). O contexto político e econômico é apontado como o principal desafio do setor, com 31% dos entrevistados mencionando o impacto do ano eleitoral e as incertezas associadas. O volume expressivo de projetos, estimado em R$ 700 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), atrai atenção internacional, mas também aumenta a complexidade dos investimentos, especialmente porque a modelagem vigente depende predominantemente de capital privado, elevando o risco para investidores.
Outros riscos emergentes e perfil dos participantes da pesquisa
A pesquisa também identificou riscos relacionados à cadeia de suprimentos (20%), mudanças climáticas e variações cambiais (10% cada), licenciamento ambiental (7%) e segurança cibernética (2%). Entre os entrevistados, a maioria atua nos segmentos de construção civil (43%) e rodovias (33%), seguidos pelo setor ferroviário (17%), portuário (5%) e aeroportuário (2%). Em termos de atuação empresarial, 70% se identificam como prestadoras de serviços, 16% como investidores, 10% como concessionárias e 3% atuam no setor público.
Desafios para o financiamento e licenciamento ambiental
O levantamento destaca também que o financiamento dos projetos é visto como um desafio significativo por 27% dos líderes, enquanto o licenciamento ambiental preocupa 14% dos respondentes. Esses fatores, combinados com o cenário político-econômico e as condições financeiras, criam um ambiente complexo para o desenvolvimento e a execução de projetos de infraestrutura no Brasil. O equilíbrio entre segurança regulatória, viabilidade financeira e sustentabilidade ambiental será determinante para o avanço do setor nos próximos anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Divulgação Neoenergia





