Riscos da educação domiciliar no Brasil em 2025

Entenda os impactos do homeschooling na formação das crianças

A educação domiciliar no Brasil levanta preocupações sobre segurança e aprendizado das crianças.

Nos últimos dias, a discussão sobre a educação domiciliar no Brasil vem ganhando destaque nas mídias, especialmente com uma campanha liderada por 91 organizações da sociedade civil que alerta sobre os riscos do homeschooling. A mensagem central é clara: “Bebês, crianças e adolescentes estão em risco. Parlamentar, diga não ao homeschooling”.

O projeto de lei que propunha a legalização do ensino domiciliar foi barrado na recente aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), mas a luta contra essa modalidade de ensino continua, com novas propostas surgindo na Câmara dos Deputados e no Senado. Entre elas, o PL 3.262/2019, que busca desconsiderar o ensino domiciliar como crime de abandono intelectual e o PL 1338/2022, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

O direito à escola pública e de qualidade

O conceito de educação domiciliar não é uma novidade. Historicamente, foi o método de ensino predominante em várias culturas, quando a alfabetização e a educação formal eram privilégio de poucos. No entanto, a partir do século XIX, especialmente no Brasil, a educação escolar tornou-se um direito assegurado a todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos, abrangendo não apenas o aprendizado, mas também direitos como saúde e alimentação.

A escola é um espaço crucial para a detecção de casos de violência e negligência. Com mais de 80% das violências contra crianças ocorrendo dentro de casa, a regulamentação do homeschooling levanta preocupações sobre a invisibilidade das crianças para o Estado. Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, destaca que muitos casos de abuso são identificados na escola, por meio de desenhos ou relatos espontâneos das crianças.

Dificuldades de aprendizagem e insegurança alimentar

Além da questão da violência, a falta de supervisão escolar pode comprometer a aprendizagem das crianças. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece práticas pedagógicas que promovem a socialização e o desenvolvimento emocional, algo que é difícil de replicar em casa. A interrupção do ensino presencial durante a pandemia de COVID-19 evidenciou as lacunas dessa abordagem, com perdas significativas em aprendizado, especialmente para crianças de famílias de baixo nível socioeconômico.

Outro aspecto crítico é a insegurança alimentar. Para muitas crianças, a escola é a única fonte de refeições adequadas. As escolas públicas costumam oferecer até cinco refeições diárias, o que representa uma rede de proteção fundamental para muitas famílias.

Desafios de fiscalização e gestão

A implementação do ensino domiciliar traz desafios adicionais de fiscalização e avaliação. Muitos municípios e estados carecem de recursos para monitorar a qualidade da educação domiciliar. Especialistas alertam que não há garantias de que as medidas de supervisão serão eficazes, o que pode aumentar o risco de evasão escolar.

A mensagem que permeia essa discussão é clara: o Brasil avançou na universalização da educação, mas ainda há um longo caminho a percorrer em termos de qualidade. A solução não é abandonar a escola, mas sim melhorar seu funcionamento e garantir que todas as crianças tenham acesso a um ambiente seguro e educativo.