Rodrigo Bacellar é preso preventivamente pela Polícia Federal no Rio de Janeiro

Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio foi detido em Teresópolis em desdobramento da Operação Unha e Carne

Rodrigo Bacellar é preso preventivamente pela Polícia Federal no Rio de Janeiro
Rodrigo Bacellar em sessão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação — Foto: Divulgação)

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, foi preso preventivamente em Teresópolis por ordem do STF, em meio à Operação Unha e Carne.

Rodrigo Bacellar preso preventivamente em Teresópolis sob ordem do STF

Rodrigo Bacellar preso pela Polícia Federal em Teresópolis nesta sexta-feira, 27, por ordem do Supremo Tribunal Federal, representa um desdobramento significativo da Operação Unha e Carne. Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ex-deputado pelo União, foi detido em sua mansão na região serrana e encaminhado à superintendência da PF, onde aguarda transferência ao sistema penitenciário. O caso destaca o aprofundamento das investigações sobre obstrução de justiça ligadas ao Comando Vermelho.

Contexto e relação com a Operação Unha e Carne na investigação criminal

A Operação Unha e Carne, responsável pelo avanço da denúncia contra Rodrigo Bacellar, foi instaurada para apurar a obstrução da investigação da Polícia Federal sobre as atividades do Comando Vermelho no Estado do Rio de Janeiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou que Bacellar teria atuado para atrapalhar o progresso das investigações, o que motivou a prisão preventiva. Este é o segundo encarceramento do ex-deputado no mesmo inquérito, que já havia cumprido cinco dias de prisão em dezembro.

Consequências políticas pós cassação do mandato e desgaste de Bacellar na Alerj

Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar seu mandato por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, Bacellar enfrentou desgaste político significativo. Embora autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes a frequentar as sessões da Alerj, ele optou por afastar-se do plenário, acumulando licenças para evitar o constrangimento causado pelo uso de tornozeleira eletrônica. A cassação ocorreu no mesmo julgamento que declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro, evidenciando um cenário de forte repressão judicial contra figuras políticas do estado.

Envolvimento do desembargador Macário Júdice Neto e vazamento de informações privilegiadas

A investigação também apontou a participação do desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), que está afastado de suas funções. Ele teria vazado dados confidenciais sobre a Operação Zargun ao então deputado Bacellar, permitindo que este destruísse provas e evitasse buscas policiais. Mensagens recuperadas pelo Ministério Público Federal indicam contatos frequentes entre Bacellar e Júdice Neto, indicando uma relação próxima que comprometeu a integridade das investigações.

Missão Redentor II e a intensificação do combate à infiltração de facções no poder público

A prisão de Rodrigo Bacellar integra esforços da força-tarefa Missão Redentor II da Polícia Federal no Rio de Janeiro, criada por determinação do Supremo Tribunal Federal na ADPF das Favelas. Essa força-tarefa tem como objetivo mapear e combater a infiltração de organizações criminosas como facções e milícias dentro do poder público fluminense, evidenciando a complexidade e gravidade dos esquemas investigados. O caso Bacellar simboliza a luta do sistema de justiça em desarticular redes de corrupção e influência criminosa no estado.