A saga dos judeus da Mooca: um olhar histórico

Explorando a história da comunidade sefardita na Mooca, SP.

A saga dos judeus da Mooca: um olhar histórico
A comunidade judaica na Mooca tem uma rica história cultural. Foto: Sem crédito.

A história da comunidade sefardita na Mooca revela um capítulo importante da imigração judia em São Paulo.

A saga dos judeus da Mooca começa no início do século XX, quando uma comunidade de imigrantes sefarditas, principalmente do Líbano, estabeleceu-se na zona leste de São Paulo. Embora frequentemente eclipsados pela presença mais notável das comunidades judaicas do Bom Retiro e do Cambuci, os judeus da Mooca desempenharam um papel crucial na formação da diversidade cultural da cidade.

A formação da comunidade sefardita

Os primeiros judeus a chegar à Mooca trouxeram consigo não apenas suas bagagens, mas também uma rica herança cultural. Falantes da língua árabe, esses imigrantes não se integraram imediatamente aos judeus asquenazes que dominavam o Bom Retiro, criando assim uma dinâmica única. A comunidade se organizou em torno da Rua Odorico Mendes, onde se encontram até hoje duas sinagogas construídas na década de 1930: a Israelita Brasileira e a Sociedade União Israelita Paulista.

Desafios e adaptações

Entre os desafios enfrentados, a condição econômica da comunidade era precária. Os judeus da Mooca trabalhavam em profissões como colchoeiros e mascates, vivendo em um ambiente de forte religiosidade e conservadorismo. A pesquisadora Adriana Abuhab Bialski destaca que muitos deixaram o Líbano devido a crises econômicas e não por perseguições religiosas, o que os levou a buscar refúgio e oportunidades no Brasil.

A vida na Mooca

A vida nesta nova realidade era marcada por dificuldades. As enchentes do rio Tamanduateí eram um problema constante, e a comunidade, embora conservadora, adaptou-se a um novo idioma e cultura, com os filhos dos imigrantes aprendendo português e frequentando escolas públicas. O sistema patriarcal e os casamentos arranjados eram práticas comuns, refletindo a tradição que preservavam.

O legado cultural

Com o passar das décadas, a comunidade judaica da Mooca foi se dispersando. A partir da década de 1960, muitos descendentes se mudaram para bairros como Higienópolis, onde fundaram novas sinagogas e se integraram mais à sociedade paulistana. Apesar da dispersão, as raízes da comunidade sefardita permanecem, refletindo na cultura local e nas tradições que ainda são celebradas.

Exposição e reconhecimento

Para honrar essa rica história, a Unibes Cultural lançou uma exposição chamada “Mooca Judaica – Histórias e Memórias de uma Comunidade”, idealizada por Adriana Abuhab Bialski e Myriam Szwarcbart. A mostra, que reúne fotografias e relatos de 33 entrevistas, busca trazer à luz a trajetória dessa comunidade pouco conhecida, promovendo um maior reconhecimento e respeito por sua contribuição à diversidade cultural de São Paulo. A exposição foi inicialmente apresentada em novembro e dezembro de 2025 e retornará entre janeiro e março de 2026.

Esta saga dos judeus da Mooca é um testemunho da força e resiliência de uma comunidade que, apesar das adversidades, conseguiu preservar sua identidade e legado ao longo do tempo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br