Decisão vem após Banco Central decretar resolução da instituição e Câmara abrir impeachment contra presidente

Presidente do Paraguai renunciou nesta quinta-feira após Banco Central decretar resolução do Ueno Bank e Câmara abrir sessão para impeachment
O presidente do Paraguai Santiago Peña renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5 de novembro, em pronunciamento gravado divulgado nas redes sociais. A decisão foi anunciada após o Banco Central do Paraguai (BCP) decretar a resolução do Ueno Bank, na segunda-feira, 2 de novembro, e horas depois de a Câmara dos Deputados abrir sessão extraordinária para votar um pedido de impeachment contra ele.
Segundo a CNN Brasil, o Congresso paraguaio precisa aceitar a renúncia para que ela produza efeito. No vídeo, Peña afirmou que tomou a decisão “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”.
“Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.”
Peña assumiu o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. O Ueno Bank atende cerca de 2,9 milhões de clientes, equivalente a 40% da população paraguaia, e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previsión Social (IPS).
O BCP informou que a solvência da instituição caiu abaixo de 50% do mínimo exigido após ajustes nos estados financeiros. A resolução foi aprovada por unanimidade pelo Diretório do banco central. Com a decisão, as operações do banco foram suspensas e os clientes ficaram sem acesso a contas e investimentos.
A Justiça paraguaia ordenou a prisão de oito executivos do banco, e a Fiscalía imputou 27 pessoas, entre diretores da instituição e dirigentes de empresas ligadas ao grupo controlador. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele havia presidido a Financiera Ueno antes de assumir a autoridade monetária.
O Banco Central fixou garantia de até G. 228,3 milhões por depositante, equivalentes a 75 salários mínimos. O primeiro pagamento anunciado chegou a G. 10 milhões, cerca de R$ 9.200. A Superintendência de Valores do Paraguai suspendeu temporariamente os resgates de 13 fundos administrados por cinco instituições financeiras.
O BCP sustenta que o caso é específico do Ueno e não indica crise generalizada do sistema financeiro paraguaio. Na Câmara dos Deputados, 35 parlamentares apresentaram na quarta-feira, 4 de novembro, um libelo acusatório contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da Constituição do Paraguai. O Congresso precisa ainda deliberar sobre a aceitação formal da renúncia presidencial.






