Santo de casa

Há um velho ditado que diz que santo de casa não faz milagre. Talvez o problema nunca tenha sido o santo. Talvez, muitas vezes, tenha sido a própria casa. O Paraná acaba de alcançar um marco histórico. Pela primeira vez, tornou-se o quinto maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 8,6 milhões de eleitores. Apenas São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia possuem hoje mais eleitores que o nosso estado.

Dentro desse cenário, Ponta Grossa continua ocupando uma posição privilegiada. São mais de 258 mil eleitores, o quarto maior eleitorado do Paraná. Não somos uma cidade periférica na política estadual. Somos uma das vozes mais importantes do estado. Mas será que nos enxergamos dessa forma?

Quando pensamos em deputados, muita gente imagina que eles constroem hospitais, fazem viadutos ou asfaltam ruas. Na realidade, essas obras são executadas pelos governos. O papel do Parlamento é outro: elaborar leis, fiscalizar o Poder Executivo e participar da definição do orçamento público.

É justamente aí que mora a força da representação. Todos os anos, deputados estaduais e federais discutem o destino de bilhões de reais. Além de votar o orçamento, contam com instrumentos como as emendas parlamentares para indicar recursos destinados a hospitais, escolas, entidades sociais, pavimentação, equipamentos públicos e tantas outras demandas apresentadas pelos municípios. O dinheiro não nasce por acaso em uma cidade. Antes de chegar ao município, ele passa pela mesa onde as prioridades são discutidas.

Por isso que representação importa. Não porque um deputado seja capaz de resolver todos os problemas de uma cidade, mas porque quem conhece uma realidade tende a enxergar suas necessidades com mais clareza. Quem vive os Campos Gerais sabe onde faltam leitos, quais rodovias precisam de atenção, quais instituições fazem a diferença para a comunidade e quais obras deixaram de ser promessa para se tornar necessidade.

Isso não significa que todo candidato local será um bom parlamentar, nem que alguém de outra região não possa representar Ponta Grossa com competência. O voto continua exigindo critério, preparo, trabalho e compromisso.

Mas a história mostra que acreditar na própria força costuma produzir resultados. Em 2022, Ponta Grossa demonstrou exatamente isso. As urnas revelaram que a cidade e a região tinham musculatura política suficiente para eleger três deputados federais: Aliel Machado, Jocelito Canto e Sandro Alex. Mais do que nomes, aquele resultado evidenciou uma verdade simples: quando a cidade acredita em si, sua voz ganha volume.

No passado, também já ocupamos quatro cadeiras simultaneamente na Assembleia Legislativa. Não era apenas motivo de orgulho. Era capacidade de articulação, presença política e força para defender os interesses da nossa região.

Política é, antes de tudo, uma disputa por prioridades. Regiões que conseguem formar lideranças fortes ocupam mais espaço nas decisões, disputam mais recursos e fazem suas necessidades serem ouvidas com maior frequência.

Agora que o Paraná se tornou o quinto maior colégio eleitoral do Brasil, esse debate ganha ainda mais importância. Se o estado aumentou seu peso político no cenário nacional, cabe aos Campos Gerais decidir qual será o seu peso dentro do Paraná.

No fim das contas, talvez o velho ditado precise ser revisto. Santo de casa faz, sim, milagres. Mas, antes disso, precisa que a própria casa acredite nele.