Entenda o movimento católico ultraconservador que molda a política chilena.

O movimento Schoenstatt, seguido pelo presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, tem raízes históricas e religiosas que influenciam a política chilena.
José Antonio Kast, o novo presidente do Chile, traz consigo uma forte influência religiosa que se reflete em seu discurso e em sua trajetória política. O movimento Schoenstatt, do qual é um notório seguidor, não é apenas uma corrente religiosa, mas uma organização que molda e influencia a estrutura familiar e social na América Latina.
A origem do Schoenstatt e sua filosofia
O Schoenstatt foi fundado em 1914, na Alemanha, pelo padre José Kentenich, e desde então tem se expandido para mais de 100 países, incluindo diversas nações da América Latina. O núcleo do movimento gira em torno da devoção à Virgem Maria e à formação de uma nova comunidade que atue em prol da Igreja e da sociedade. A definição do movimento destaca seu caráter mariano e seu objetivo de formar um “novo homem”.
Kast, criado em um lar profundamente religioso, teve seu primeiro contato com Schoenstatt através de seu irmão mais velho, Miguel, que se uniu ao movimento durante seus anos universitários. Esse laço familiar reforça a conexão de Kast com as doutrinas do Schoenstatt, que enfatiza valores conservadores e a importância da vida familiar.
A influência do Schoenstatt na política chilena
Embora o Schoenstatt não tenha buscado influenciar diretamente a política, seus membros têm participado ativamente em esferas de poder, o que inclui a presença de Miguel Kast em cargos altos durante a ditadura de Augusto Pinochet. A organização, ao priorizar a vida familiar, acaba por influenciar indiretamente as decisões políticas de seus adeptos, como é o caso de Kast.
O movimento, descrito como ultraconservador por alguns críticos, procura ser uma voz dentro da Igreja Católica, seguindo suas diretrizes, mas com um foco particular na moralidade e nos valores familiares. O coordenador do Schoenstatt nas Américas, padre Felipe Ríos, afirma que o rótulo de ultraconservador não reflete a essência do movimento, que busca uma abordagem mais equilibrada em relação a questões sociais e religiosas.
As polêmicas em torno de Schoenstatt
A história do Schoenstatt não é isenta de controvérsias. Acusações de abuso contra seu fundador, José Kentenich, e a forma como ele administrava o movimento levantaram questões sobre a dinâmica de poder dentro da organização. A historiadora Alexandra von Teuffenbach, em suas investigações, revelou que Kentenich teria abusado de integrantes do movimento, o que resultou em um processo que paralisou sua beatificação e gerou discussões sobre a liderança e os valores do Schoenstatt.
Essas controvérsias, embora desafiadoras, não parecem ter afetado a popularidade do movimento entre os fiéis, que continuam a ver o Schoenstatt como uma fonte de apoio espiritual e comunitário.
Conclusão
A eleição de Kast representa não apenas uma mudança política no Chile, mas também a ascensão de uma perspectiva religiosa que se apoia em tradições conservadoras. O Schoenstatt, com sua rica história e ideais, continua a desempenhar um papel significativo na formação da identidade política e social de seus membros, refletindo uma intersecção complexa entre fé e política na América Latina.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: s Group via Getty Images





