Audiência pública discute agressões e censura enfrentadas pela imprensa
Entidades criticam cerceamento a jornalistas em audiência no Senado, destacando agressões e episódios de censura.
Cerceamento a jornalistas é tema de audiência pública no Senado
Na quinta-feira (11), uma audiência pública no Senado abordou o cerceamento a jornalistas, motivada por ações violentas de policiais legislativos e episódios de censura ocorridos na Câmara dos Deputados. A discussão surgiu após incidentes que incluíram a interrupção do sinal da TV Câmara e a retirada forçada de profissionais de imprensa do plenário, que geraram forte repercussão.
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do pedido para a audiência, expressou sua indignação ao abrir os trabalhos. Ele afirmou que acompanhou os eventos pela televisão e por vídeos divulgados nas redes sociais, manifestando solidariedade aos jornalistas agredidos. “Todos nós ficamos chocados com a violência sofrida por jornalistas na noite de terça-feira na Câmara dos Deputados”, declarou o senador.
Repercussões do episódio
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, anunciou que a ABI protocolou uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo que sejam tomadas medidas contra o deputado Hugo Motta, acusado de censura. Costa enfatizou que a situação não pode ser ignorada e que é necessário responsabilizar o presidente da Câmara pelos atos que violam a Constituição Federal.
“Não queremos só uma explicação, queremos punição deste presidente da Câmara. O que ele fez é lamentável e afeta a todos nós”, afirmou Costa, que também anunciou a intenção de protocolar representações em outras instâncias, como a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Ética da Câmara.
A banalização da violência contra a imprensa
A coordenadora da Repórteres sem Fronteiras (RSF), Bia Barbosa, destacou que o episódio de violência é um reflexo da naturalização do cerceamento da liberdade de imprensa no Brasil. Segundo ela, essa situação se agravou durante o governo anterior e persiste mesmo após a mudança de administração. “Não fez com que episódios como esse deixassem de acontecer”, avaliou.
A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Kátia Brembatti, alertou sobre a escalada da violência, que se manifesta de várias formas, incluindo a violência física e judicial. “A imprensa não está sob uma redoma que não poderia ser criticada, mas a crítica não pode ser feita através da violência”, defendeu.
O impacto nos jornalistas
Kátia também mencionou que existem atualmente 654 processos reconhecidos como assédio judicial contra jornalistas, o que provoca um clima de intimidação e autocensura. “Esses processos sufocam financeiramente as empresas e criam um autopoliciamento. A sociedade deixa de ser informada quando um jornalista pensa cinco vezes antes de abordar um assunto”, alertou.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira Cunha, lembrou que o Relatório Anual da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa revelou 144 casos de violência em 2024, um número que não pode ser ignorado. Ela destacou que a liberdade de imprensa é fundamental em uma democracia e que o cerceamento resulta na perda do direito à informação para os cidadãos.
“Em um país que se diz democrático, impedir a imprensa de fazer o trabalho dela é injustificável”, concluiu Samira.
Conclusão
A audiência pública no Senado evidenciou a gravidade da situação enfrentada pelos jornalistas no Brasil. A união de entidades representativas do setor em defesa da liberdade de expressão é um passo importante para garantir que episódios de violência e censura não se tornem comuns na sociedade brasileira.





