Proposta surgiu no 15º Congresso Brasileiro do Algodão com objetivo de ampliar processamento doméstico de 700 mil para 1 milhão de toneladas anuais

Cadeia produtiva do algodão apresentou nesta quinta-feira proposta de política pública inspirada no RenovaBio para ampliar mercado doméstico
O setor brasileiro do algodão apresentou nesta quinta-feira (24) uma proposta para ampliar as fibras naturais no mercado interno durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão em Belo Horizonte. A iniciativa, inspirada na experiência brasileira com biocombustíveis, busca criar uma política pública baseada em certificação, rastreabilidade e incentivos capazes de incorporar benefícios ambientais e sociais à remuneração da cadeia.
A Presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, defendeu a construção de um Programa Nacional de Biofibras. O Chefe-Geral da Embrapa Arroz e Feijão, Miguel Novato, apresentou um desenho inicial batizado de “Renova Têxtil”, inspirado no RenovaBio. Ambas as propostas surgiram durante a plenária “Como reconectar o brasileiro à fibra natural?”.
A proposta não constitui ainda um programa governamental. De acordo com os participantes do debate, seria necessário reunir produtores, indústria, varejo, pesquisadores, sociedade civil e poder público para transformar o conceito em política efetiva. Ao encerrar a plenária, Alessandra afirmou: “Que este seja oficialmente o dia em que começamos a construir uma ambição tão grande quanto a dos biocombustíveis: um Programa Nacional de Biofibras”.
A iniciativa emerge em momento de contraste entre a expansão da produção brasileira de algodão e um mercado doméstico que pouco avançou nos últimos anos. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial da pluma, mas a indústria nacional processa aproximadamente 700 mil toneladas por ano. Desde 2024, Abrapa e Abit trabalham com a ambição de elevar esse volume para 1 milhão de toneladas anuais.
De acordo com o Head de Negócios e Relações Internacionais da Abrapa, Fernando Rati, aproximadamente 20% do algodão produzido pelo país permanece no mercado doméstico. A expansão do processamento interno depende de estratégias capazes de reconectar a indústria, varejo e consumidor às fibras naturais, diante do avanço das fibras sintéticas. A proposta será desenvolvida nos próximos passos pela articulação entre os setores envolvidos na cadeia produtiva.






