Setor de serviços mostra acomodação em patamar inferior em março

Economistas avaliam que queda recente reflete efeitos da política monetária e fatores conjunturais, mas estímulos ao consumo evitam retrações mais profundas

Setor de serviços mostra acomodação em patamar inferior em março
Vista aérea do Rio de Janeiro, cenário para o desempenho do setor de serviços. Foto: REUTERS/Sergio Moraes

Setor de serviços apresentou queda em março, refletindo efeitos da política monetária e acomodação em patamar inferior, mas estímulos sustentam demanda.

Contexto da acomodação no setor de serviços em março

O setor de serviços registrou em março uma queda de 1,2% no volume de atividade ante fevereiro, refletindo uma acomodação em patamares inferiores aos observados no último quinquênio. De acordo com o analista Luiz Carlos de Almeida Junior, essa retração se concentra nos últimos cinco meses, com quatro meses registrando variações negativas consecutivas. O transporte, especialmente o rodoviário de cargas e o aéreo de passageiros, foi apontado como o principal responsável pelo recuo.

Impactos da política monetária e endividamento das famílias

A desaceleração do setor de serviços em março deve ser interpretada à luz dos efeitos retardados da política monetária restritiva, que aumentou o custo do crédito e elevou o comprometimento da renda com o serviço da dívida. Essa situação limita o consumo discricionário das famílias, restringindo sua capacidade de expansão no consumo de serviços. A inflação concentrada em bens essenciais e o nível elevado de juros contribuem para corroer o poder de compra, prejudicando ainda mais a demanda interna.

Estímulos fiscais e robustez do mercado de trabalho sustentam a demanda

Apesar das dificuldades, economistas destacam que o mercado de trabalho permanece robusto, o que, combinado com transferências fiscais e medidas de estímulo ao consumo, ajuda a mitigar a retração no setor. A reforma do imposto de renda e o aumento real do salário-mínimo são exemplos de políticas recentes que buscam impulsionar a renda disponível e fomentar a atividade econômica.

Projeções para o setor de serviços e o desempenho econômico em 2026

A XP projeta um crescimento de 2,5% na receita total do setor de serviços para 2026, ligeiramente inferior ao avanço de 2,9% registrado em 2025. Embora o setor apresente desaceleração, o desempenho positivo da indústria e do varejo contribui para manter a perspectiva de crescimento do PIB, com projeções que indicam alta em torno de 1,0% no primeiro trimestre de 2026.

Setores e segmentos com desempenho distinto dentro do setor de serviços

O setor de serviços apresenta desempenho desigual entre seus segmentos. Enquanto transporte tem sofrido retração significativa, setores como informação e comunicação registraram crescimento sólido. Essa dispersão impacta a composição do PIB do setor, evidenciando a complexidade da dinâmica econômica atual e a necessidade de análise segmentada para compreender completamente os efeitos conjunturais.

Perspectivas e desafios diante do cenário econômico atual

O cenário de desaceleração do setor de serviços sugere uma acomodação da atividade econômica em um patamar mais baixo, com efeitos de realocação de consumo influenciados por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio e o aumento dos preços dos combustíveis. As expectativas apontam para um crescimento econômico moderado, com potencial de estabilidade sustentada pelos estímulos fiscais e a resiliência do mercado de trabalho, embora o endividamento das famílias e a inflação persistam como desafios significativos.