Discussão sobre ajuste do CVaR pode impactar tarifas e segurança do sistema hidrelétrico brasileiro

Setor elétrico discute parâmetros dos reservatórios que podem gerar economia bilionária e alterar segurança energética até 2027.
Confira os principais pontos do debate sobre os parâmetros dos reservatórios
Consulta Externa 001/2026: Aberta pelo ONS para revisar parâmetros de risco no setor elétrico.
Proposta de flexibilização: Defendida por empresas renováveis e comercializadoras, prevê economia de até R$ 6,6 bilhões/ano e queda de 1,12% nas tarifas.
Resistência das hidrelétricas: Alertam para maiores riscos e recomendam manutenção dos atuais parâmetros conservadores.
Parâmetro CVaR: Define o grau de aversão ao risco no uso dos reservatórios e acionamento das térmicas.
Impacto estimado: Redução do volume dos reservatórios de 27,5% para 24,9% em novembro, com economia de R$ 5,4 bilhões e impacto tarifário de 0,98%.
Decisão final: Será do CMSE até 20 de maio de 2026, com implementação prevista para 2027.
Entendendo o papel dos parâmetros dos reservatórios no sistema elétrico brasileiro
A discussão sobre os parâmetros dos reservatórios é central para o equilíbrio do setor elétrico nacional. O CVaR (Conditional Value at Risk) orienta o quanto o sistema deve ser conservador na utilização da água das hidrelétricas, impactando diretamente o acionamento das usinas térmicas, que possuem custo mais elevado. Uma maior aversão ao risco preserva os reservatórios, mas aumenta despesas ao demandar o uso intensificado das térmicas. Por outro lado, flexibilizar o CVaR pode reduzir custos imediatos, mas eleva o risco de déficit energético.
Bernardo Bezerra, diretor da Serena, destaca que a flexibilização poderia reduzir os custos e a volatilidade do mercado de energia, trazendo maior previsibilidade às tarifas e consumidores. Já Marisete Pereira, presidente da Abrage, enfatiza a necessidade de cautela devido às crises hídricas recentes que geraram encargos bilionários.
Impactos econômicos e na segurança energética da proposta de flexibilização
A proposta de alteração dos parâmetros dos reservatórios pode resultar em uma economia de até R$ 6,6 bilhões ao ano, segundo estimativas de comercializadoras e geradoras renováveis. Essa redução refletiria em descontos próximos a 1% nas contas de luz para os consumidores. No entanto, o lado das hidrelétricas alerta para o aumento do risco operacional, já que o menor volume de água armazenada pode comprometer o atendimento em períodos críticos.
A discussão também destaca o desafio da expansão das fontes renováveis como a eólica e solar, que não oferecem a mesma flexibilidade e potência firme das hidrelétricas, exigindo maior precisão na operação do sistema para evitar cortes e sobrecargas.
Análise técnica e perspectivas para o sistema elétrico nacional
O ONS, junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), conduz estudos técnicos para avaliar os impactos dos diferentes níveis de aversão ao risco no sistema. Essas análises buscam subsidiar a decisão do CMSE, que terá papel determinante na manutenção ou revisão dos parâmetros a partir de 2027.
O ex-diretor-geral do ONS e presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata, pontua que o excesso de cautela pode gerar ineficiências e custos desnecessários, destacando a importância de uma avaliação mais inteligente e flexível do risco para o benefício público.
Desafios e oportunidades para o futuro do setor elétrico brasileiro
O debate atual reflete uma tensão entre redução de custos e garantia de segurança no fornecimento de energia. Além do impacto tarifário, a decisão sobre os parâmetros dos reservatórios influencia diretamente a estratégia energética nacional frente às mudanças climáticas e à transição para fontes renováveis.
A manutenção dos níveis atuais pode significar maior estabilidade, porém com custos elevados. Já a flexibilização oferece potencial de economia, mas com riscos que, segundo geradoras, precisam ser cuidadosamente avaliados para evitar repetir crises como a de 2021.
Assim, o setor elétrico brasileira se encontra em um momento decisivo, em que a definição dos parâmetros dos reservatórios pode moldar o custo e a confiabilidade da energia para os próximos anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Usina hidrelétrica de Itumbiara, no rio Paranaíba (GO/MG





