Mudanças climáticas e a urgência de ações efetivas no Brasil.
Setor de seguros enfrenta desafios diante da crescente crise climática na Amazônia, com propostas inovadoras para mitigar os danos.
Com o aumento dos desastres climáticos na Amazônia, o setor de seguros no Brasil se apresenta como um aliado crucial na gestão de riscos e na mitigação de perdas. O recente levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revelou que os custos das cidades brasileiras relacionados a eventos climáticos ultrapassaram R$ 700 bilhões nos últimos 12 anos. Esse cenário alarmante destaca a necessidade de uma resposta eficaz e coordenada do setor segurador.
O papel do setor segurador na crise climática
A primeira COP realizada na Amazônia, em Belém, evidenciou a urgência de ações contra os danos das mudanças climáticas. A CNseg, durante o evento, lançou propostas para enfrentar as perdas causadas por eventos climáticos. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, comentou que o setor pode não apenas indenizar as vítimas, mas também atuar na prevenção, oferecendo alertas e monitoramento antes que os desastres ocorram.
Propostas inovadoras para o futuro
Uma das principais propostas apresentadas na COP 30 foi o Seguro Social de Catástrofe, que visa proporcionar proteção acessível a famílias, com custo estimado em cerca de R$ 3 por mês. Essa iniciativa busca aumentar a adesão ao seguro, que atualmente é considerada baixa, com apenas 15% das perdas cobridas pelo setor. Essa baixa adesão é preocupante, especialmente num contexto onde desastres naturais têm se tornado cada vez mais frequentes e severos.
Desafios e oportunidades
De acordo com a coordenadora do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), Adriana Campelo, os desastres não são apenas eventos naturais, mas resultam de uma combinação de fatores socioeconômicos. O estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) aponta que os prejuízos causados pela mudança do clima nos estados da Amazônia Legal somam mais de US$ 650 milhões por ano, o que equivale a R$ 3,44 bilhões.
O caminho a seguir
Dyogo Oliveira enfatizou que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para integrar o seguro à agenda climática local. Ele citou exemplos de outros países, como o México e a França, que já avançaram nesse sentido, sugerindo que o Brasil pode aprender com essas experiências.
Além disso, a CNseg apresentou a Ferramenta de Avaliação de Riscos Climáticos, que visa mapear e mitigar os riscos associados às mudanças climáticas, permitindo uma resposta mais eficaz a desastres futuros.
Com um cenário cada vez mais desafiador, a colaboração entre o setor de seguros, o governo e a sociedade civil será fundamental para construir um futuro mais resiliente. A conscientização sobre a importância do seguro como proteção contra eventos climáticos extremos é um passo essencial nessa direção.





