Impactos no mercado e preocupações dos produtores

O setor do vinho brasileiro alerta para riscos com o acordo Mercosul-UE.
Ameaças ao setor vitivinícola brasileiro
O setor do vinho brasileiro está em alerta com a iminente assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Os produtores expressam preocupações sobre um possível “protecionismo reverso” que poderá comprometer a competitividade do vinho nacional. Com a redução gradual das taxas de importação para vinhos europeus, o Brasil teme a chegada de produtos mais acessíveis nas prateleiras, o que pode desestabilizar o mercado local.
O impacto do acordo nas vendas
Atualmente, os vinhos importados da União Europeia enfrentam tarifas que variam de 17% a 35%. No entanto, os vinhos brasileiros já sofrem com uma alta carga tributária interna, que chega a 29,39%, considerando ICMS, PIS/Cofins e IPI. A reforma tributária em andamento poderá elevar essa taxa para alarmantes 54,94%, devido à introdução do imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas. Essa situação representa um verdadeiro golpe para a competitividade das vinícolas nacionais.
Preocupações e reivindicações do setor
Daniel Panizzi, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (UVIBRA), destaca que o acordo pode ameaçar 70 setores da economia e cerca de 90 mil empregos diretos relacionados à cadeia produtiva do vinho e do enoturismo. Ele ressalta que o Brasil já luta para manter sua competitividade no mercado, e os novos impostos piorarão ainda mais a situação. “Estamos a favor do acordo, mas pedimos uma atenção especial para o nosso vinho”, afirma.
Para mitigar os efeitos negativos, o setor tem se mobilizado e promovido audiências públicas no Congresso Nacional. Uma das propostas em discussão é a reclassificação do vinho como alimento, o que poderia equiparar o produto nacional aos importados, permitindo uma concorrência mais justa no contexto do acordo.
Comparações internacionais e desafios locais
A realidade do vinho no Brasil é radicalmente diferente da de países com tradição vitivinícola. Na Europa, o vinho é considerado um patrimônio cultural e tratado de forma diferenciada, com taxas reduzidas e muitos subsídios governamentais. Na Espanha, por exemplo, o vinho é parte essencial da dieta mediterrânea, o que contribui para sua inclusão em um regime fiscal mais favorável.
O futuro do setor vitivinícola no Brasil
Com cerca de 23 mil produtores e 500 vinícolas em operação, a indústria do vinho no Brasil movimenta cerca de R$ 19 bilhões por ano. No entanto, a recente decisão da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de adiar a assinatura do acordo para janeiro de 2026, mantém a incerteza sobre o futuro do setor. Enquanto o Brasil aguarda o fechamento do pacto, o governo sinaliza que, caso as negociações não avancem ainda este ano, não haverá chances de retomada durante o atual mandato. A tensão no setor vitivinícola aumenta, e os produtores aguardam com expectativa os próximos passos nas negociações.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





