Shein no parlamento europeu por venda de produtos ilegais

Audiência discute responsabilidade e práticas da Shein após denúncias na União Europeia

Shein no Parlamento Europeu enfrenta audiência sobre venda de bonecas sexuais ilegais e responsabilidade na proteção do consumidor.

A Shein no Parlamento Europeu enfrentará uma audiência crucial em 27 de janeiro de 2026 convocada pelo Comitê de Mercado Interno e Proteção do Consumidor (IMCO) para discutir a venda de produtos ilegais, entre eles bonecas sexuais com traços infantis, e a responsabilidade da empresa na proteção dos consumidores.

Contexto da convocação

A audiência foi marcada após inúmeras tentativas sem sucesso de convocar a Shein, conforme relatado pela presidente do IMCO, a eurodeputada alemã Anna Cavazzini. A participação da empresa chinesa representa um passo significativo para o controle das atividades de grandes marketplaces online, especialmente à luz dos recentes escândalos envolvendo a marca.

Investigação e denúncias

Autoridades francesas iniciaram investigações em novembro de 2025, após identificarem a venda de bonecas sexuais com aparência infantil no site da Shein. A Direção-Geral da Concorrência, Consumo e Repressão às Fraudes (DGCCRF) encaminhou o caso ao Ministério Público, destacando que a descrição dos produtos dificultava rejeitar seu caráter pedopornográfico. Alguns modelos apresentavam traços de meninas pequenas, como um de 80 centímetros acompanhado de um ursinho de pelúcia.

Reação da Shein e protestos

Após a repercussão, a Shein afirmou que os produtos foram removidos imediatamente ao serem informados do problema e iniciou uma investigação interna para eliminar ofertas similares de vendedores terceiros. Mesmo assim, em novembro de 2025, manifestantes protestaram em frente à loja da marca em Paris, denunciando a comercialização desses itens e pedindo proteção às crianças.

Histórico de penalizações

A Shein foi a marca de moda mais utilizada na França em 2024, porém acumulou três multas que somam 191 milhões de euros por práticas como promoções falsas, informações enganosas e omissão sobre microfibras plásticas nos produtos vendidos.

Marco regulatório: a Lei dos Serviços Digitais

A audiência ocorre em um momento em que a União Europeia aplica rigorosamente a Lei dos Serviços Digitais (DSA), que estabelece obrigações para grandes plataformas digitais, como remoção de produtos ilegais e prevenção de reincidência, com multas que podem chegar a 6% do faturamento global anual em caso de descumprimento. Em abril de 2024, a Shein foi classificada como plataforma de grande porte, devido a mais de 45 milhões de usuários mensais no bloco.

Expectativas para a audiência

O porta-voz da Shein, Martin Reidy, confirmou a presença na audiência e sinalizou disposição para diálogo construtivo com os parlamentares sobre os desafios de garantir segurança e proteção dos consumidores no ambiente online.

Nesta audiência, o Parlamento Europeu busca aprofundar o controle sobre a conduta dos grandes marketplaces, especialmente em relação à proteção infantil e ao combate à venda de produtos ilegais, reforçando a responsabilidade das plataformas em conformidade com a legislação europeia.