Simepar propõe ação coordenada para enfrentar mudanças climáticas no Paraná

Carta elaborada por especialistas do Simepar destaca importância de investimentos e integração institucional diante dos desafios climáticos

Simepar propõe ação coordenada para enfrentar mudanças climáticas no Paraná
Monitoramento de tempestades severas realizado pelo Simepar no Paraná. Foto: NO DIA METEOROLÓGICO MUNDIAL, CARTA PROPÕE AÇÕES DIANTE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Especialistas do Simepar entregam carta ao governo propondo ações diante das mudanças climáticas e reforço em monitoramento meteorológico no Paraná.

Carta elaborada no Paraná propõe ações diante das mudanças climáticas

No Dia Meteorológico Mundial, 23 de janeiro de 2026, o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) apresentou uma carta inovadora que propõe ações diante das mudanças climáticas, reforçando a importância da integração entre instituições e o fortalecimento do monitoramento meteorológico no Paraná. O documento foi desenvolvido após o primeiro Seminário Internacional de Tornados, realizado em Curitiba, e conta com contribuições de especialistas locais e internacionais.

Participação de especialistas internacionais e brasileiros no seminário

O seminário contou com a participação remota de Russell S. Schneider e DaNa L. Carlis, diretores de centros de pesquisa meteorológica da NOAA, dos Estados Unidos, referência mundial em previsão e alerta de tornados. A troca de experiências motivou os profissionais brasileiros a aprimorar práticas e tecnologias já adotadas, com foco na criação de resiliência frente aos eventos extremos. Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, ressaltou a importância da formação especializada e da aplicação de tecnologia avançada para enfrentar as mudanças climáticas.

Análise técnica dos fenômenos extremos e avanço no monitoramento

Reinaldo Silveira, pós-doutor em Matemática Aplicada e colaborador da Organização Meteorológica Mundial, destacou o papel do Simepar como centro de excelência em observações meteorológicas, essencial para calibrar modelos climáticos e aprimorar previsões. Ernani de Lima Nascimento, maior pesquisador de tornados do Brasil, analisou o aumento dos registros de tempestades severas na região Sul, atribuindo parte do crescimento à maior facilidade de documentação e à possível intensificação das condições atmosféricas que favorecem esses fenômenos.

Fortalecimento da governança e comunicação qualificada como estratégias essenciais

A carta enfatiza o fortalecimento da governança baseada em evidências, ampliação dos investimentos em monitoramento e sistemas de alerta precoce, além do reconhecimento institucional das fontes oficiais de informação para comunicação de riscos. Também destaca a necessidade de combater a desinformação e valorizar a ciência e a comunicação qualificada para preparar a sociedade para eventos meteorológicos extremos.

Simepar e Defesa Civil articulam respostas integradas no Paraná e região

O Simepar integra a equipe de meteorologia que apoia a Defesa Civil nos estados do Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina, colaborando na emissão de alertas e respostas rápidas. No seminário, foi apresentado o laudo técnico dos tornados que atingiram o Paraná em novembro de 2025, evidenciando a importância da comunicação clara e da governança rigorosa dos dados para reduzir impactos sociais e econômicos.

Propostas da carta para políticas públicas e cultura de prevenção

Além das propostas técnicas, a carta enfatiza que enfrentar as mudanças climáticas vai além da meteorologia, envolvendo comunicação, educação e psicologia para fomentar uma cultura de prevenção de desastres. O professor Ernani Nascimento defende que as escolas sejam o ponto de partida para a construção dessa cultura, preparando a população para agir adequadamente diante de avisos meteorológicos e mitigar os impactos dos eventos extremos.

Considerações finais

O documento será entregue aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Paraná, com a expectativa de inspirar a formulação de políticas públicas pautadas em evidências científicas e focadas na proteção da população. O Simepar, ao completar 33 anos, reforça seu papel estratégico no monitoramento ambiental e na defesa civil, posicionando o estado para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas com tecnologia, conhecimento e colaboração institucional.