Análise detalhada do impacto do relatório do USDA nas cotações da soja e outras commodities agrícolas no mercado global

O mercado da soja opera em queda após relatório neutro do USDA, refletindo incertezas na oferta e demanda global para a safra 2025/26.
Soja opera em queda após relatório do USDA divulgado em 11 de fevereiro de 2026
A soja opera em queda nesta quarta-feira (11) após o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) ter apresentado um cenário neutro para a safra americana 2025/26. Segundo o documento, a produção deverá alcançar 4,262 bilhões de bushels, equivalente a 116 milhões de toneladas, sem grandes alterações em relação às expectativas anteriores. Fernando Henrique Iglesias, especialista do Safras e Mercado, destaca que o relatório não trouxe novidades significativas ao quadro de oferta e demanda, contribuindo para a pressão nos preços. A estimativa da safra brasileira, que pode chegar a 180 milhões de toneladas, também pesa negativamente no mercado, reforçando a percepção de oferta global confortável.
O relatório ainda indicou a possibilidade de um acordo comercial entre EUA e China, que poderia aumentar os volumes de soja exportados para o país asiático, fator que sustentou a recuperação dos preços após o anúncio inicial. Porém, o efeito positivo não foi suficiente para reverter a tendência de queda no pregão atual.
Análise das tendências nos preços do farelo de soja e impacto no mercado global
No mercado de derivados, o farelo de soja registrou uma leve alta de 0,03% no contrato para março, cotado a US$ 300,90 por tonelada na manhã do dia 11. Este movimento ocorreu em continuidade aos ganhos superiores a 1% observados na sessão anterior. O comportamento do farelo é influenciado pela demanda por proteína animal e pelas dinâmicas de oferta de grãos, que permanecem equilibradas globalmente. A estabilidade dos preços do farelo reforça a cautela dos investidores diante das incertezas comerciais e climáticas para as safras 2025/26.
Contexto do milho e suas previsões globais segundo o USDA
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago também apresentam leve alta de 0,06% nesta quarta-feira (11). O relatório do USDA revelou uma redução de quase 2 milhões de toneladas na produção global do grão em relação à estimativa de janeiro, porém a demanda mundial deve crescer, passando de 1,299 bilhão para 1,301 bilhão de toneladas. Essa combinação sinaliza um mercado de milho com maior equilíbrio, mas sujeito a variações conforme as condições climáticas e negociações comerciais internacionais.
Situação do trigo e influência das revisões para a Argentina e Brasil
O trigo começou o dia com alta de 1,14% no contrato de março, recuperando perdas recentes. O USDA revisou para baixo a oferta global de trigo em 841,80 milhões de toneladas para 2025/26, uma redução de 370 mil toneladas ante a projeção anterior, ajustando também a produção argentina para 27,8 milhões de toneladas, aumento de 1,1%. No Brasil, os preços do trigo permanecem firmes, sustentados por estoques reduzidos e elevado volume exportado, principalmente do Rio Grande do Sul, que em janeiro atingiu 370,6 mil toneladas. Essa conjuntura indica mercados mais pressionados e com potencial de valorização no curto prazo.
Desempenho do cacau e fatores que impulsionam a queda prolongada do preço
Entre as soft commodities, o cacau enfrentou uma queda acentuada de 7% na terça-feira (10), marcando a sexta semana consecutiva de desvalorização. O excesso de oferta global, aumento dos estoques e demanda fraca explicam essa trajetória de preços. Essa conjuntura afeta diretamente produtores e traders, que precisam ajustar estratégias diante do ambiente de preços desfavoráveis e da volatilidade do mercado.
Mercado do boi ganha firmeza em fevereiro com retenção e alta nos preços
No setor pecuário, o mercado do boi demonstra firmeza em fevereiro. Com pastagens bem formadas, os pecuaristas possuem maior poder de retenção e conseguem negociar preços melhores pela arroba. Dados do Cepea indicam alta em 28 praças monitoradas, enquanto o Indicador Datagro registrou aumento de 0,50% no preço do boi em São Paulo, cotado a R$ 338,00, e 1,42% em Mato Grosso, a R$ 315,00 por arroba. O ágio para o boi China, animais com até 30 meses, atingiu R$ 5,00, sinalizando mercado aquecido e maior valorização para o produto premium.
Esses movimentos no mercado de commodities agrícolas evidenciam a complexidade e interdependência entre oferta, demanda, condições climáticas e políticas comerciais, que impactam diretamente os preços e as estratégias dos agentes do agronegócio global.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Roberto Samora





