Apesar da trégua na inflação, consumidores mantêm cautela e impactam faturamento do varejo alimentício

Supermercados vendem menos comida em dezembro de 2025, mesmo com inflação de alimentos em queda, refletindo cautela do consumidor.
O varejo de alimentos no Brasil enfrentou em dezembro de 2025 um desempenho surpreendentemente negativo, com supermercados vendendo menos comida apesar da redução da inflação nesse segmento. Tradicionalmente, dezembro é um mês de alta nas vendas, impulsionado pelas festas de fim de ano e pelo 13.º salário. Entretanto, os dados levantados pela Scanntech indicam uma queda de 5,5% nas unidades vendidas em comparação com dezembro de 2024 e uma retração de 2,5% no faturamento, mesmo com aumento de 3,2% nos preços por unidade.
Contexto e análise do fenômeno
Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech, destaca que essa queda representa um movimento estrutural ao longo do ano. Apesar da inflação de alimentos ter desacelerado desde junho de 2025, e da renda média do brasileiro ter avançado, o consumidor manteve uma postura cautelosa ao realizar suas compras. O aumento do endividamento, associado ao crescimento do mercado de apostas online — que movimenta mais de R$ 30 bilhões mensais conforme dados do Banco Central — pode ser um dos fatores que impactam o orçamento familiar.
Além disso, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressalta que o aumento do consumo de serviços tem reduzido a fatia do orçamento dedicada à compra de bens, como alimentos. Atualmente, os serviços representam quase metade dos gastos familiares, um aumento considerável desde 2008, quando essa parcela era inferior a um terço.
Impactos no comportamento do consumidor
Segundo Passarelli, juros elevados e a deterioração da confiança do consumidor também contribuem para restringir o consumo. A inflação, ainda percebida como uma preocupação por metade da população, reforça a sensação de que o dinheiro não rende, levando o consumidor a ajustar o volume de compras, priorizar itens essenciais e buscar promoções com maior intensidade.
Esse cenário tem levado supermercados a acumularem estoques, especialmente em dezembro e na primeira quinzena de janeiro, provocando uma reação do setor com promoções agressivas para tentar reverter a baixa nas vendas.
Estratégias do varejo para recuperação
A rede Hirota, com 17 lojas na região metropolitana de São Paulo, está promovendo uma queima de estoque com descontos de até 50% em mais de 150 itens, incluindo ovos, café, cerveja e carnes. O diretor Hélio Freddi afirma que o objetivo é alcançar a meta de vendas, já que janeiro tem sido um mês difícil, com resultados 4% abaixo das expectativas.
Freddi também aponta que despesas extras, como matrículas escolares, IPTU e IPVA, além da insegurança em relação ao mercado, fazem com que consumidores restrinjam ainda mais seus gastos. Ele comenta que a dificuldade enfrentada por supermercados é generalizada, pois todos buscam manter o caixa equilibrado para pagar despesas ordinárias.
Perspectivas para o varejo de alimentos
O desempenho negativo de dezembro de 2025 no varejo alimentício evidencia uma mudança no padrão de consumo brasileiro, influenciado por fatores econômicos e comportamentais. A disputa entre gastos com bens e serviços, o endividamento crescente e a percepção de menor poder aquisitivo moldam as decisões dos consumidores, pressionando supermercados a inovar em estratégias promocionais e gestão de estoques para enfrentar o novo cenário.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Nacho Doce





