Economista Guilherme Cezar Coelho aponta pressão popular e lobby das carreiras privilegiadas no impasse sobre restrição salarial

Supersalários serão tema central das eleições com lobby bloqueando avanços no Congresso, segundo fundador da República.org.
Supersalários serão tema central das eleições e pressão popular cresce
Supersalários serão tema das eleições de 2026, destaca o economista Guilherme Cezar Coelho, fundador do instituto República.org. Ele afirma que a restrição a esses pagamentos extras está travada no Congresso devido ao lobby dos setores do serviço público mais privilegiados. Segundo Coelho, “o Congresso foi capturado pelas carreiras que são muito influentes e beneficiadas pelos supersalários”. O debate ganhou força após a Câmara aprovar novos penduricalhos, que foram vetados pelo presidente Lula.
Suspensão dos penduricalhos pelo STF fortalece debate e abre caminho para regulação
A decisão monocrática do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender os penduricalhos por 60 dias representa uma vitória importante, aponta Coelho. Essa medida cria uma oportunidade para organizar melhor os salários públicos e regular os supersalários, que atualmente atingem menos de 1% dos servidores, conforme estudo do pesquisador Sergio Guedes Reis. No entanto, Coelho lembra que enquanto durar essa decisão, ministérios públicos e judiciários podem continuar pagando esses valores devido a leis complementares estaduais, o que evidencia a necessidade de ações diretas de inconstitucionalidade para uniformizar a situação.
Lobby e sindicalismo dos supersalários travam avanço da reforma administrativa
Apesar do apoio inicial do presidente da Câmara, Hugo Motta, a proposta de reforma administrativa não avançou devido a múltiplos focos de resistência. Coelho avalia que o Congresso é dominado por carreiras que se beneficiam diretamente dos penduricalhos e que o sindicalismo desses grupos exerce forte pressão para manter seus privilégios. Essa captura parlamentar dificulta a aprovação de projetos que visam restringir os supersalários, mesmo diante da rejeição popular, que o Datafolha indica ser de 83% contra esses pagamentos. A influência dessas carreiras poderosas cria um ambiente de temor e coação entre servidores que não recebem supersalários, limitando o debate.
Impactos dos supersalários na eficiência pública e na desigualdade social brasileira
O economista afirma que os supersalários estão correlacionados com ineficiência no serviço público e não impedem casos de corrupção, citando exemplos recentes. Ele denuncia que essas remunerações elevadas representam uma apropriação do público pelo privado e custam cerca de R$ 20 bilhões anuais ao país. Além disso, Coelho ressalta que estas práticas contribuem para a desigualdade social, defendendo reformas tributárias na renda e herança para melhorar a distribuição de riqueza no Brasil. Ele destaca que nos países mais produtivos, as taxas sobre herança são significativamente maiores, enquanto no Brasil prevalecem regimes especiais que beneficiam herdeiros.
Propostas para regulação e governança dos salários no serviço público brasileiro
Para resolver o problema dos supersalários, Coelho sugere a criação de uma comissão independente, sem representantes das carreiras beneficiadas, para regular os salários públicos com transparência e responsabilidade. Ele critica a atual governança, que permite que as próprias carreiras definam seus salários, fomentando uma “corrida para o fundo do poço” em busca de aumentos. O economista também destaca o papel do Observatório de Integridade e Transparência, criado pelo ministro Edson Fachin, como um avanço na governança pública, que deve acompanhar também o aprimoramento do código de ética no Judiciário para coibir práticas abusivas relacionadas aos supersalários.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





