Três técnicos de enfermagem são investigados por mortes causadas por aplicação de desinfetante em pacientes no Distrito Federal

Três técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de injetar desinfetante e medicamento letal em pacientes no Hospital Anchieta, causando mortes em 2025.
Três técnicos de enfermagem foram presos em janeiro de 2026, no Distrito Federal, suspeitos de matar três pacientes por meio da injeção de substâncias perigosas no Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, conforme apurado pela Polícia Civil do Distrito Federal, que investiga o caso na Operação Anúbis.
Investigações apontam aplicação de substâncias letais
As apurações indicam que os técnicos aplicaram diretamente na veia das vítimas uma substância capaz de provocar parada cardíaca em poucos minutos. Além disso, uma das pacientes teria recebido uma dose dez vezes maior de desinfetante, provocando repetidas paradas cardíacas. A substância letal é de difícil detecção em exames iniciais, o que dificultou a identificação precoce dos crimes.
Uso fraudulento do sistema de prescrição médica
Segundo o delegado responsável, Wisllei Salomão, o principal suspeito teria se aproveitado de um sistema de prescrição médica aberto por um médico para prescrever e aplicar os medicamentos de forma fraudulenta, assumindo a identidade do profissional. Ele agia sozinho ou acompanhado por outros dois técnicos, aguardando a reação das vítimas antes de tentar qualquer reanimação, geralmente apenas na presença de terceiros.
Fases da Operação Anúbis e apreensões
A primeira fase da operação ocorreu em 11 de janeiro, com a prisão temporária de dois suspeitos e a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Na fase seguinte, uma terceira investigada foi presa em Ceilândia, com novas apreensões em Samambaia. Os materiais coletados estão sendo analisados para reconstruir a motivação dos crimes, comunicações e escalas de plantão.
Hospital Anchieta e reação das famílias
O Hospital Anchieta divulgou nota relatando a identificação de situações atípicas relacionadas a três óbitos na UTI, iniciando investigação interna e colaborando com as autoridades. A instituição informou que desligou os ex-funcionários suspeitos, solicitou medidas cautelares e entrou em contato com as famílias, embora o caso corra em segredo de justiça.
Famílias das vítimas expressaram surpresa e indignação, como o caso do pai de uma vítima de 33 anos, que desconhecia a causa real da morte do filho. Ele acompanhava o tratamento desde a internação e afirmou não ter sido avisado adequadamente pelo hospital sobre as circunstâncias trágicas.
Necessidade de apuração ampla e prevenção
A Polícia Civil investiga se as mortes são casos isolados ou parte de um padrão dentro da unidade hospitalar. Também apura a possível participação de outros funcionários e as falhas nos controles internos do hospital. Este caso levanta um alerta para a segurança e fiscalização dos procedimentos médicos e hospitalares, visando proteger a vida dos pacientes e garantir a responsabilidade dos profissionais de saúde.
Fonte: noticias.uol.com.br
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