Investigações revelam complexidades sobre biometria e segurança bancária após crime em São Paulo.

Caso de jovem suspeito de matar mãe levanta questões sobre segurança de sistemas biométricos em bancos.
A repercussão do caso de um jovem suspeito de matar e cortar o dedo da própria mãe para acessar sua conta bancária trouxe à tona questionamentos sobre o nível de segurança de sistemas biométricos em bancos brasileiros. O homem, Maurício Roschel, de 28 anos, foi preso no último sábado (22) em São Paulo, por suspeita de matar a mãe e atear fogo em seu corpo, em Parelheiros, na zona sul da capital paulista.
Após o crime, familiares relataram que o suspeito teria arrancado o dedo da vítima, Eliana Roschel, na tentativa de acessar sua conta bancária. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo não confirmou a informação, limitando-se a informar que a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão temporária contra Maurício e que as investigações seguem em curso no 101º Distrito Policial (Jardim Imbuias).
O caso levantou questionamentos sobre a possibilidade de acesso a agências bancárias com biometria de pessoas mortas. As tecnologias de identificação por biometria, como reconhecimento facial ou impressões digitais, têm sido amplamente adotadas por instituições financeiras no Brasil. Contudo, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que essas práticas, além de ilegais, não seriam eficazes para contornar os sistemas biométricos atuais.
Em nota, a Febraban informou que bancos brasileiros utilizam soluções avançadas que não apenas confirmam a identidade do cliente, mas também garantem que a pessoa esteja viva durante a transação. Isso elimina a possibilidade de fraudes por meio de fotos ou imagens retiradas de redes sociais.
Os sistemas de segurança modernos frequentemente implementam técnicas de “liveness detection” (detecção de vivacidade) em biometria. Um estudo de 2019 da editora internacional de revistas científicas MDPI destacou que as novas tecnologias biométricas usam sensores e algoritmos que detectam sinais de vida, como pulsação e fluxo sanguíneo, tornando difícil o uso de dedos de cadáveres ou moldes artificiais.
A perita judicial e antropóloga forense Ana Paula Velloso, do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo, explicou que é possível identificar pessoas falecidas por suas impressões digitais. “Na perícia, quando encontramos um corpo não identificado em estado avançado de decomposição, utilizamos a chamada luva cadavérica. Retiramos a pele das pontas dos dedos, hidratamos e colamos nas luvas para obter a impressão digital biométrica e tentar a identificação”, detalhou.
Embora o caso tenha revelado uma situação extrema e criminosa, ele também destaca a importância das tecnologias de segurança em instituições financeiras. Os mecanismos atuais visam proteger os clientes de fraudes e garantir a integridade das transações bancárias, dificultando tentativas de acesso não autorizadas que poderiam ocorrer em situações semelhantes a esta.
Fonte: noticias.uol.com.br
Fonte: Mauricio Roschel





