Tarcísio celebra ação integrada contra esquema do PCC no setor de combustíveis

Operação Carbono Oculto mobilizou forças federais e estaduais contra rede suspeita de fraudes e lavagem

Tarcísio celebra ação integrada contra esquema do PCC no setor de combustíveis
Tarcísio de Freitas em declaração sobre a operação. Foto: Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

Operação Carbono Oculto reuniu PF, Receita e outras forças para atingir rede suspeita de fraudes e lavagem no setor de combustíveis.

O governador de São Paulo destacou a atuação conjunta das forças de segurança após a deflagração da operação Carbono Oculto, que investiga um esquema do PCC no setor de combustíveis. Em vídeo divulgado nas redes, ele afirmou que a coordenação entre órgãos foi crucial para atingir uma rede com movimentação bilionária e impactos nacionais.

A investigação, conduzida por Polícia Federal com apoio de Receita Federal, unidades estaduais e órgãos de investigação, apurou transferências e operações suspeitas no período de 2020 a 2024. Autoridades estimam que a estrutura envolvida teria usado serviços financeiros e importações irregulares para mascarar recursos.

Antecedentes do esquema do PCC no setor de combustíveis

A operação tem origem em apurações iniciadas a partir de sinais de irregularidade em cadeias de comercialização e logística de combustíveis. Investigações preliminares apontaram uso de empresas de fachada e fintechs que funcionariam como mecanismos para movimentar e lavar valores provenientes do tráfico e de fraudes comerciais.

Termos técnicos usados pelas equipes incluem rastreamento de fluxo financeiro (análise de movimentações eletrônicas) e checagem de integridade de cadeias de suprimento (verificação de documentação de importação e estoque). Relatórios indicam que alguns pontos críticos envolveram o uso de metanol e práticas que adulteravam produtos vendidos ao consumidor.

Desdobramentos imediatos da operação Carbono Oculto e alvos principais

  • Ação coordenada com cerca de 1.400 agentes em oito estados, segundo autoridades.
  • Alvos: pessoas físicas e jurídicas ligadas à cadeia de combustíveis, com foco em postos, distribuidores e empresas de serviços financeiros.
  • Pedido de bloqueio judicial de bens no valor aproximado de R$ 1 bilhão, incluindo imóveis e veículos.
  • Indícios de movimentação financeira na casa das dezenas de bilhões entre 2020 e 2024, detectados por análises fiscais e bancárias.

As medidas tiveram efeito imediato sobre empresas e agentes investigados, com buscas e apreensões e determinação de bloqueios para preservar recursos até esclarecimento judicial.

“Trabalhar em conjunto derrota o crime organizado”

Números do caso e estimativas de autoridades

  • R$ 52 bilhões: movimentação identificada no período 2020–2024, segundo relatório das investigações.
  • Mais de R$ 46 bilhões circulados por uma única empresa investigada, conforme autoridades.
  • R$ 7,67 bilhões: estimativa preliminar de sonegação apontada pela Receita Federal.
  • Cerca de 1.000 postos em dez estados com irregularidades fiscais ou operacionais detectadas.
  • Bloqueio de R$ 1 bilhão em bens determinado pela Justiça como medida cautelar.

Esses números, divulgados por representantes das equipes, ainda são objeto de detalhamento em perícias e processos administrativos.

Efeitos esperados para o mercado, órgãos fiscalizadores e consumidores

Especialistas consultados e autoridades avaliam que a operação deve provocar ajustes imediatos na fiscalização do setor e mudanças nas práticas de compliance de distribuidores e postos. Se as suspeitas forem confirmadas, empresas envolvidas podem enfrentar multas, bloqueios de bens e ações penais.

Para os órgãos de fiscalização, o caso deve acelerar o uso de cruzamento de bases e tecnologia de análise financeira como rotina de monitoramento. No Congresso, representantes mencionaram propostas legislativas para endurecer regras sobre operações financeiras atreladas ao comércio de combustíveis e ampliar instrumentos de rastreio.

Consumidores podem sentir efeitos em curto prazo, caso haja apreensões de estoque ou suspensão de atividades de estabelecimentos. A irregularidade apontada — adulteração e fraudes quantitativas — afeta qualidade e segurança do produto, além de prejudicar concorrência leal no mercado.

O que acompanhar a partir de agora e próximos passos das investigações

A investigação seguirá com diligências, análises periciais e encaminhamentos ao Judiciário para eventual oferecimento de denúncias. Pontos de atenção indicados por autoridades e especialistas: a conclusão das perícias sobre movimentações financeiras, tramitação de pedidos de cooperação internacional para rastrear recursos e a avaliação do impacto regulatório nas cadeias logísticas.

Decisões legislativas e administrativas também podem surgir a partir das apurações, com iniciativas voltadas a fortalecer controles sobre fintechs, importações de insumos e mecanismos de fiscalização tributária.

Tarcísio e outros representantes ressaltaram a importância da ação integrada entre esferas federal e estadual, além do Ministério Público e órgãos de controle, como passo para dificultar a infiltração de organizações criminosas em setores estratégicos. Em paralelo, a Justiça tem adotado medidas cautelares para garantir a preservação de ativos até o deslinde do caso.

O desenrolar das investigações e a tramitação dos processos associados serão determinantes para medir a amplitude do impacto no mercado e para as políticas públicas de combate ao crime organizado no setor de combustíveis. As próximas semanas devem trazer decisões sobre denúncias e eventuais desdobramentos em esferas administrativa e legislativa.

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