Apesar das medidas protecionistas, o emprego industrial nos EUA segue em queda e os investimentos ainda enfrentam desafios

Emprego industrial nos EUA cai desde a imposição das tarifas de Trump, que elevaram custos e dificultaram recuperação esperada.
Impactos das tarifas de Trump no emprego industrial americano
O emprego industrial nos Estados Unidos tem apresentado queda contínua desde que o presidente Donald Trump implementou, em abril, as tarifas mais altas desde a Grande Depressão. A promessa de que “empregos e fábricas vão voltar rugindo para o nosso país” não se concretizou, refletindo o cenário atual em que as fábricas americanas empregam 12,7 milhões de pessoas, uma redução de 72 mil em comparação ao período do anúncio. A imposição dessas tarifas, embora tenha protegido setores como a siderurgia, elevou os custos para empresas que dependem de insumos importados, prejudicando setores como o automobilístico, que perdeu cerca de 20 mil empregos.
Desafios enfrentados por pequenas e médias empresas devido às tarifas
Pequenas e médias indústrias têm sofrido com a falta de previsibilidade nos custos de insumos, consequência direta das mudanças frequentes nas tarifas. Pesquisa realizada pelo Federal Reserve de Richmond em novembro revelou que 57% dos fabricantes médios e 40% dos pequenos não têm clareza sobre seus custos, em contraste com 23% entre grandes fabricantes. Essa incerteza tem levado muitas dessas empresas a adiar investimentos em novas fábricas e equipamentos, comprometendo a expansão industrial e a geração de empregos nesse segmento.
Setores tecnológicos e industriais avançados sob pressão das medidas comerciais
Os setores que demandam insumos importados mais sofisticados, como aeronaves e semicondutores, também enfrentam impactos negativos. Fabricantes de semicondutores, por exemplo, cortaram mais de 13 mil empregos desde a imposição das tarifas. Isso ocorre porque esses segmentos dependem de componentes importados, tornando-os mais vulneráveis ao aumento dos custos decorrente das barreiras tarifárias, o que dificulta a competitividade e a inovação tecnológica no mercado americano.
Outros fatores que contribuem para a retração do emprego industrial
Além das tarifas, juros elevados e mudança no padrão de consumo colaboram para o enfraquecimento do setor industrial. O custo dos empréstimos mais do que dobrou nos últimos quatro anos, desestimulando investimentos e contratações. Paralelamente, consumidores têm direcionado seus gastos para serviços presenciais, reduzindo a demanda por bens duráveis produzidos pelas indústrias, como móveis e eletrônicos. Esses fatores combinados explicam parte da redução dos empregos industriais mesmo antes do retorno de Donald Trump à presidência.
Investimentos crescentes e perspectivas futuras para a indústria americana
Apesar da queda no emprego, a produção industrial cresceu em 2025, atingindo o maior nível em quase três anos. Investimentos em construção de fábricas aumentaram, superando em mais de três vezes os valores do início do mandato anterior de Trump, embora ainda inferiores ao pico do governo Biden. Algumas empresas anunciaram novos projetos, como a T. RAD North America, que planeja uma fábrica de autopeças no Tennessee para empregar 928 trabalhadores. Autoridades do governo acreditam que os benefícios completos das políticas industriais ainda estão por vir, e que o aumento nos investimentos pode sinalizar uma futura recuperação do emprego no setor.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: s via AFP





