Taxa de desocupação mantém estabilidade em 5,4% no trimestre até janeiro

Rendimento real atinge recorde enquanto mercado de trabalho demonstra queda na informalidade e aumento na ocupação

Taxa de desocupação mantém estabilidade em 5,4% no trimestre até janeiro
Indicadores econômicos mostram estabilidade na taxa de desocupação no Brasil Foto: Agência

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, com recorde no rendimento e queda na informalidade no mercado de trabalho.

Panorama da taxa de desocupação no Brasil no trimestre encerrado em janeiro

A taxa de desocupação no Brasil manteve-se em 5,4% no trimestre móvel de novembro de 2025 a janeiro de 2026, repetindo o menor índice da série histórica iniciada em 2012. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este indicador representa uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a taxa estava em 6,5%. A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, destaca que a estabilidade reflete a compensação dos efeitos sazonais, com os meses de novembro e dezembro contribuindo para neutralizar a tradicional redução de trabalhadores em janeiro.

Atingimento de recorde no rendimento real habitual e sua importância econômica

O rendimento real habitual dos trabalhadores brasileiros alcançou R$ 3.652, o valor mais alto registrado na série histórica, com aumento de 2,8% no último trimestre e 5,4% no acumulado anual. Paralelamente, a massa de rendimento total habitual atingiu R$ 370,3 bilhões, crescimento de 2,9% no trimestre e 7,3% na comparação anual. Esses indicadores indicam uma melhora no poder de compra do trabalhador e uma maior geração de renda no país, favorecendo o consumo e a economia como um todo.

Redução da informalidade e crescimento do emprego formal: impactos e tendências

A taxa de informalidade caiu para 37,5%, o menor nível desde julho de 2020, com 38,5 milhões de trabalhadores informais. Este recuo ocorre em função da diminuição do emprego sem carteira assinada no setor privado e do aumento do registro formal dos trabalhadores por conta própria. No mesmo período, o número de empregados no setor privado com carteira assinada alcançou 39,4 milhões, apresentando alta anual de 2,1%. Essas mudanças refletem uma formalização crescente no mercado de trabalho, indicando avanços na proteção social e na regularização das relações trabalhistas.

Indicadores de ocupação, subutilização e desânimo do trabalhador em análise

A população ocupada atingiu 102,7 milhões, o maior contingente desde o início da série, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior e com crescimento anual de 1,7%. O nível de ocupação situou-se em 58,7%, estável frente ao trimestre anterior e com leve aumento anual. A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13,8%, considerada estável no trimestre, porém com queda significativa de 1,8 ponto percentual no ano. Além disso, a população desalentada alcançou 2,7 milhões, estável no último trimestre e com queda anual de 15,2%. Esses números indicam uma melhora no aproveitamento da força de trabalho e redução do desânimo relacionado à busca por emprego.

Variações setoriais e perfil dos grupos de trabalho

No confronto trimestral, houve crescimento nos grupamentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, com aumento de 2,8%, e em Outros Serviços, com alta de 3,5%. Por outro lado, a Indústria Geral apresentou queda de 2,3%. Na análise anual, destacaram-se as expansões nos setores de Informação e Comunicação (4,4%) e na Administração Pública e Serviços Sociais (6,2%), enquanto os Serviços Domésticos registraram redução de 4,2%. O número de trabalhadores por conta própria aumentou 3,7% no ano, enquanto os empregados domésticos apresentaram redução de 4,5%. Essas dinâmicas refletem a transformação estrutural do mercado de trabalho brasileiro e suas diferentes tendências por setor.

Metodologia da PNAD Contínua e importância para o acompanhamento do mercado de trabalho

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) é a principal fonte de dados sobre a força de trabalho no Brasil, abrangendo 211 mil domicílios em 3.500 municípios, sendo realizada por cerca de dois mil entrevistadores do IBGE. Desde a pandemia de Covid-19, a pesquisa alterna coleta presencial e telefônica, assegurando a qualidade e a representatividade dos dados. A divulgação regular desses indicadores permite o monitoramento detalhado das condições laborais e a formulação de políticas públicas voltadas para o emprego e a renda no país.