Taxas dos di recuam forte após trump cancelar ataques ao irã e sinalizar acordo

Movimento nos juros futuros reflete expectativa de acordo entre EUA e Irã e impacto nos mercados financeiro e cambial

Taxas dos di recuam forte após trump cancelar ataques ao irã e sinalizar acordo
Queda nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros após anúncio de Trump. Foto:

Taxas dos DIs caem mais de 40 pontos-base após Trump cancelar ataques ao Irã e falar em acordo, refletindo ajuste global nos mercados.

Taxas dos DI caem fortemente após anúncio de Trump sobre Irã

As taxas dos DI tiveram uma queda expressiva superior a 40 pontos-base em vários vencimentos nesta quinta-feira, 11 de junho, refletindo o cancelamento dos ataques dos EUA ao Irã pelo presidente Donald Trump e sua declaração sobre um acordo próximo de ser assinado. Essa movimentação nos juros futuros acompanhou de perto a redução dos rendimentos dos Treasuries americanos, que são referência para decisões de investimento global.

O analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, destacou que parte do movimento também decorre de uma correção natural após as altas recentes na curva brasileira, mas que a notícia do cancelamento dos ataques foi o principal vetor influenciador do recuo. Por volta do fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,51%, caindo 40 pontos-base em relação ao ajuste anterior. De forma similar, o DI para janeiro de 2035 fechou em 14,325%, com queda equivalente.

Impacto dos dados domésticos e cenário inflacionário no Brasil

Embora o volume de serviços no Brasil tenha apresentado alta de 1,2% em abril na comparação com março, superando as expectativas e indicando recuperação econômica, esse dado reforça as preocupações com o controle da inflação no país. O IBGE registrou uma alta de 1,9% frente a abril de 2025, evidenciando o vigor do setor.

Essa conjuntura levou instituições financeiras a revisarem para cima as previsões de inflação e da taxa Selic para o segundo semestre, cenário que mantém a curva a termo com apostas em possível aumento dos juros pelo Banco Central. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado aposta majoritariamente na manutenção da Selic em 14,50%, mas observa que o índice oficial de inflação (IPCA) de maio será determinante para novas decisões.

Reação dos mercados internacionais e repercussões cambiais

No exterior, o anúncio do acordo iminente entre EUA e Irã provocou queda acelerada dos rendimentos dos Treasuries, com destaque para o título de dez anos que recuou nove pontos-base, chegando a 4,449%. Esse movimento sinalizou um ambiente mais favorável para ativos de risco, refletindo maior confiança dos investidores.

O dólar repercutiu positivamente essa mudança, desvalorizando-se frente ao real e atingindo a cotação de R$5,10, contribuindo para um ambiente de menor volatilidade cambial. Esse cenário estimulou também a alta do Ibovespa, que recuperou a marca dos 170 mil pontos, mostrando a forte correlação entre eventos geopolíticos internacionais e a dinâmica dos mercados brasileiros.

Perspectivas para a política monetária e o controle da inflação

O ajuste das taxas dos DI diante de notícias externas e dados internos evidencia a complexidade do cenário econômico brasileiro. O Banco Central enfrenta o desafio de equilibrar o combate à inflação e a manutenção do crescimento econômico, com o mercado atento às decisões do Copom e aos indicadores-chave como o IPCA de maio.

O analista Matheus Spiess destaca que um resultado inflacionário elevado pode levar o Banco Central a interromper os cortes na Selic já na reunião de junho, influenciando a trajetória futura da política monetária. Assim, a combinação de fatores externos e domésticos continua a determinar a volatilidade e as expectativas referente às taxas de juros no Brasil.

Conclusão: efeito Trump e cenário econômico brasileiro

A decisão de Donald Trump de cancelar ataques ao Irã e anunciar um acordo potencialmente iminente provocou um efeito positivo imediato nas taxas dos DI e nos mercados financeiros brasileiros, ilustrando a sensibilidade da economia nacional a eventos geopolíticos globais. Ainda assim, os dados robustos do setor de serviços e as pressões inflacionárias domésticas mantêm a cautela sobre os rumos da política monetária, indicando um ambiente econômico desafiador nos próximos meses.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br