Dispositivo inovador desenvolvido por startup paulista auxilia missão Artemis 2 no controle dos ciclos biológicos no espaço

Dispositivo brasileiro mede padrões de sono e luz para melhorar saúde dos astronautas em missões espaciais da Nasa.
Tecnologia brasileira monitora sono e bem-estar de astronautas na missão Artemis 2
A tecnologia brasileira monitora sono e o bem-estar dos astronautas em missão da Nasa desde o lançamento da Artemis 2, ocorrido no dia 1º de abril. O dispositivo chamado actígrafo, desenvolvido pela startup paulista Condor Instruments e apoiado pela Fapesp, é usado para mapear com precisão os padrões de sono, vigília, exposição à luz e temperatura corporal da tripulação durante o voo espacial. O engenheiro mecatrônico Rodrigo Trevisan Okamoto, responsável pelo projeto, destaca que o aparelho tem sido testado pelos astronautas nos últimos dois anos antes de sua oficialização na missão.
O papel do actígrafo no ciclo circadiano no espaço
O actígrafo possui acelerômetros e sensores de luz e temperatura que permitem monitorar a atividade motora e os estímulos luminosos recebidos pelo usuário. Essa coleta de dados é fundamental para entender o ciclo circadiano — o relógio biológico interno de aproximadamente 24 horas que regula funções físicas e comportamentais, influenciado principalmente pela luminosidade. No espaço, onde os astronautas enfrentam condições de claridade e escuridão constantes, como na Estação Espacial Internacional que registra 16 amanheceres e entardeceres diários, esse ciclo natural é severamente desregulado, impactando a qualidade do sono e a saúde da tripulação. O actígrafo ajuda a mapear essas alterações para que sejam adotadas medidas que mitiguem os efeitos adversos.
Importância do monitoramento para missões espaciais prolongadas
O monitoramento detalhado do sono e da exposição à luz é crucial para garantir a segurança e a eficiência dos astronautas em missões de longa duração. Distúrbios do sono e irregularidades no ciclo biológico causam déficits cognitivos e motores que podem comprometer tarefas críticas. A Nasa utiliza os dados coletados pelo actígrafo para comparar com testes de coordenação motora e avaliações pré e pós-missão, objetivando otimizar o design de futuras espaçonaves e ambientes de trabalho no espaço profundo. Essa pesquisa também contribui para o entendimento dos efeitos da ausência da gravidade e da exposição à radiação na fisiologia humana.
Desenvolvimento do dispositivo e parcerias científicas
O actígrafo surgiu inicialmente de pesquisas acadêmicas em cronobiologia coordenadas pelo professor Mario Pedrazzoli Neto, da USP. A colaboração com os engenheiros Rodrigo Okamoto e Luis Filipe Rossi, apoiados pelo programa PIPE da Fapesp, transformou o protótipo em um produto comercial de alta precisão. Hoje, a Condor Instruments exporta cerca de 80% da produção para mais de 40 países, atendendo universidades e centros de pesquisa mundialmente. Além do espaço, o dispositivo é aplicado em estudos sobre miopia, recuperação de prematuros e outros campos da saúde.
Perspectivas e impactos da inovação brasileira na exploração espacial
A inserção da tecnologia brasileira na missão Artemis 2 representa um avanço significativo para a soberania tecnológica do país no setor aeroespacial. A continuidade da parceria com a Nasa para futuras fases do programa Artemis, incluindo o pouso no polo sul lunar previsto para 2028, é uma meta da startup. Segundo especialistas, o apoio inicial do PIPE foi fundamental para reduzir riscos e viabilizar o sucesso da inovação, que tem potencial para ampliar o protagonismo brasileiro em tecnologias disruptivas aplicadas ao espaço e outras áreas científicas. A experiência mostra a importância do investimento estratégico e da paciência para maturação de projetos tecnológicos complexos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: A tripulação da Artemis II (no sentido horário, a partir da esquerda





