Organizações sociais, especialmente na Amazônia, avançam na automação e gestão digital, mas desigualdades e falta de capacitação ainda limitam o potencial da IA
O terceiro setor acelera a adoção de inteligência artificial, destacando avanços na Amazônia, mas enfrenta desigualdades e falta de capacitação.
Terceiro setor acelera adoção de inteligência artificial e seus impactos
O terceiro setor acelera adoção de inteligência artificial (IA) em diversas frentes no Brasil, conforme pesquisas recentes do Gife e análises de especialistas. Em 2026, esse movimento ocorre de forma desigual, com organizações da sociedade civil utilizando IA principalmente para otimizar tarefas operacionais. Um dos exemplos mais expressivos desse avanço está no Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que atua diretamente em regiões remotas da Amazônia, onde o uso da tecnologia atua como instrumento estratégico para melhorar eficiência e impacto socioambiental.
Avanços do Idesam na automação e capacitação institucional
O Idesam tem se destacado ao incorporar robôs de Robotic Process Automation (RPA) para automatizar processos financeiros e administrativos, integrando esses sistemas a ERPs e portais bancários. Essas iniciativas reduziram erros, aumentaram a transparência e agilizaram procedimentos internos, liberando a equipe para focar em atividades estratégicas. Além disso, o instituto adotou uma política institucional rigorosa de capacitação, certificando 100% dos seus colaboradores em 2025 para o uso responsável da IA, abordando ética, boas práticas e limites da tecnologia, o que reforça o papel da formação no sucesso da inovação.
Desenvolvimento de plataformas digitais para monitoramento e gestão
Além da automação, o Idesam investiu no desenvolvimento de painéis interativos e mapas de Business Intelligence (BI), como o painel de Indicadores e o mapa de plantio no Programa Prioritário de Bioeconomia. Essas ferramentas consolidam dados sobre territórios, projetos e redes comunitárias, facilitando a integração de informações que, antes, estavam fragmentadas e difíceis de acessar, especialmente em áreas remotas da Amazônia. A tecnologia permite uma tomada de decisão mais qualificada e o monitoramento mais eficaz dos impactos socioambientais.
Desigualdades e desafios estruturais no uso da inteligência artificial
Apesar dos avanços, o uso de IA no terceiro setor enfrenta obstáculos significativos, como a escassez de recursos financeiros, desigualdade tecnológica entre organizações e a ausência de políticas robustas para proteção de dados. As dificuldades na capacitação e os dilemas éticos, especialmente em projetos que envolvem populações vulneráveis, ampliam os desafios para uma adoção justa e responsável da tecnologia. Especialistas ressaltam que superar essas barreiras exige uma combinação entre inovação tecnológica e fortalecimento institucional.
O futuro da inteligência artificial no terceiro setor brasileiro
O próximo passo para o terceiro setor não está apenas na ampliação da adoção tecnológica, mas na integração da IA com práticas institucionais que garantam ética, equidade e impacto social ampliado. A experiência do Idesam na Amazônia demonstra o potencial transformador da IA quando acompanhada de governança sólida e capacitação contínua. Para que esse progresso se espalhe de forma mais equânime no país, será fundamental investir em políticas públicas, financiamento e formação para que a inteligência artificial contribua efetivamente para o desenvolvimento socioambiental sustentável.





