Mãe Carmen dos Gantois, líder espiritual, faleceu aos 99 anos.
O Terreiro de Gantois, em Salvador, preserva tradições milenares dos povos Iorubá, mesmo após a morte da sua líder, Mãe Carmen.
O Terreiro de Gantois, um dos mais icônicos espaços de culto aos Orixás na Bahia, está em luto após a morte de sua líder espiritual, Mãe Carmen, ocorrida na madrugada de sexta-feira, 26 de dezembro de 2025. Mãe Carmen, que completaria 99 anos na próxima segunda-feira, foi uma figura central na preservação das tradições dos povos Iorubá, liderando o terreiro por 23 anos e mantendo viva uma cultura rica e milenar.
O legado de Mãe Carmen e o Terreiro de Gantois
O Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé, como é formalmente conhecido, foi fundado em 1949 por Maria Júlia da Conceição Nazareth, uma africana liberta. Desde sua fundação, o terreiro se destaca por seguir uma tradição matriarcal, onde as líderes são sempre mulheres, respeitando os laços de hereditariedade. Mãe Carmen, filha de Mãe Menininha do Gantois, se tornou a sexta mulher a assumir a liderança do terreiro, continuando uma linhagem que remonta à fundadora.
Localizado na Rua Mãe Menininha do Gantois, no bairro da Federação em Salvador, o terreiro não só serve como um local de culto, mas também como um espaço de resistência cultural. A estrutura do lugar é rica em simbolismo, com áreas dedicadas a festividades, assentamentos de divindades e um ambiente natural que integra a espiritualidade aos elementos da vida cotidiana.
A importância cultural e histórica
Além de ser um centro espiritual, o Terreiro de Gantois é considerado um Patrimônio Histórico e Etnográfico do Brasil, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Essa designação ressalta sua relevância não apenas para a comunidade local, mas para a cultura brasileira como um todo. O espaço é um bastião de preservação da memória e tradições afro-brasileiras, onde os cultos aos Orixás são realizados com reverência e respeito.
A morte de Mãe Carmen deixa um vazio significativo na comunidade, mas também reforça a importância da continuidade das tradições. O velório de Mãe Carmen foi realizado no próprio terreiro, aberto ao público, e seu sepultamento ocorrerá no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. A comunidade se mobiliza para honrar sua memória e perpetuar seu legado.
A perpetuação da tradição
O Terreiro de Gantois é um exemplo de como a cultura afro-brasileira se mantém viva através das gerações. A estrutura matriarcal e a conexão com as raízes africanas são fundamentais para a identidade do Candomblé no Brasil. Mãe Carmen, que foi iniciada aos sete anos e viveu sua vida dentro do terreiro, simboliza a força e a resistência das mulheres na luta pela preservação de seus costumes e tradições.
Com a morte de Mãe Carmen, o futuro do Terreiro de Gantois se torna uma preocupação para muitos. Contudo, a história rica de liderança feminina e a devoção aos Orixás asseguram que o legado de Mãe Carmen e de suas antecessoras continuará a ser celebrado e respeitado, garantindo que as tradições milenares do povo Iorubá nunca sejam esquecidas.





