Estudo revela práticas de tatuagem que remontam a 350 a.C.

Descobertas arqueológicas na Núbia revelam uma tradição de tatuagens com origens que remontam a 350 a.C.
Recentes investigações arqueológicas na antiga Núbia, região que corresponde ao atual Sudão, revelaram uma tradição milenar de tatuagem que se estende desde pelo menos 350 a.C. até a Idade Média. A pesquisa, que foi publicada na revista científica PNAS, destaca como as condições climáticas do vale do Nilo favorecem a preservação de fragmentos de pele, permitindo a identificação dessas práticas.
A importância das condições climáticas
As descobertas foram viabilizadas pela secura do vale do Nilo, que permitiu que os restos humanos se preservassem por séculos. Técnicas modernas de imageamento revelaram marcas geométricas típicas de tatuagens em esqueletos de diferentes épocas, o que demonstra a continuidade e a evolução dessa arte corporal ao longo do tempo. A equipe de pesquisa, composta por três arqueólogas, analisou restos humanos de três sítios arqueológicos e confirmou que a prática de tatuagem remonta ao Período Meroítico, que se estende até cerca de 1400 d.C.
Marcas que contam histórias
Os fragmentos analisados mostram que as tatuagens eram feitas com instrumentos rudimentares, criando padrões geométricos e motivos vegetais. Por exemplo, no sítio de Semna Sul, foram identificadas tatuagens em três mulheres de diferentes idades, cujos desenhos incluíam losangos e pontos. A técnica utilizada, que envolvia perfurações repetidas para a inserção de pigmento, ilustra não apenas a habilidade dos artistas da época, mas também o significado cultural que essas marcas possuíam.
Influência do cristianismo
A pesquisa também sugere que a adoção do cristianismo na região pode ter influenciado a prática das tatuagens. No cemitério de Kulubnarti, datado entre 650 e 1000 d.C., foram identificadas 17 pessoas com marcas indiscutíveis de tatuagem, inclusive em crianças e bebês, o que levanta questões sobre o significado dessas práticas em diferentes fases da vida. Os pesquisadores notaram que os padrões das tatuagens mudaram, incorporando novas técnicas e simbolismos, possivelmente relacionados a crenças cristãs ou práticas de cura.
Conclusões e implicações
Essas descobertas não apenas ampliam o conhecimento sobre a cultura núbia, mas também abrem novas linhas de investigação sobre o papel das tatuagens em sociedades antigas. A relação entre a arte corporal e as transformações sociais, como a conversão ao cristianismo e a fragmentação dos reinos núbios, oferece um panorama rico para entender a complexidade da identidade cultural na Núbia. Assim, a tradição milenar de tatuagem se revela como um componente vital da história e da herança cultural da região.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Mary Nguyen/Divulgação





