Tradição religiosa da sexta-feira santa e a escolha entre peixe e carne

Entenda o significado do jejum e da abstinência na Sexta-feira Santa e a importância dessa prática para os católicos

Tradição religiosa da sexta-feira santa e a escolha entre peixe e carne
Celebração da Páscoa em diferentes regiões do Brasil. Foto: Unsplash

A tradição religiosa na Sexta-feira Santa envolve jejum e a preferência pelo consumo de peixe em memória à Paixão de Cristo.

A tradição religiosa na Sexta-feira Santa e seu significado central

A tradição religiosa na Sexta-feira Santa enfatiza o jejum e a abstinência como formas de penitência e memória da Paixão de Cristo. Este ano, celebrado no dia 3 de abril, o dia é marcado pelo silêncio, reflexão e ausência da missa, destacando-se como momento único na liturgia católica, conforme explica o padre José Ulisses Leva, da Capela Sion em São Paulo.

A escolha alimentar, restringindo carne vermelha e branca, visa remeter ao corpo de Jesus Cristo e à simplicidade. O peixe, por sua vez, é entendido como alimento de “sangue mais frio” e digestão mais rápida, simbolizando a modéstia e o sacrifício.

A importância do jejum e abstinência segundo o Código de Direito Canônico

O Código de Direito Canônico define o jejum como a privação de alimentos e a abstinência como a escolha de alimentação simples. Estas práticas religiosas, obrigatórias para fiéis entre 18 e 59 anos na Sexta-feira Santa, e a abstinência da carne para maiores de 14 anos, são expressões de penitência que evocam o sofrimento de Jesus Cristo e convidam à reflexão sobre escolhas pessoais durante a Quaresma.

Pessoas em condições específicas, como idosos e gestantes, são dispensadas dessas obrigações, respeitando as necessidades individuais.

O simbolismo do peixe na tradição católica durante a Quaresma

O peixe é símbolo de simplicidade e humildade nas práticas da Quaresma, destacando-se como alimento permitido na Sexta-feira Santa. O padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo em Vitória, ressalta que o significado do jejum está no gesto simbólico e na consciência do fiel, mais do que no alimento em si.

Historicamente, a carne era associada a celebrações festivas, e sua abstenção representa uma escolha consciente de penitência e memória da entrega de Jesus.

A Quaresma e a preparação espiritual para a Páscoa

A Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas e encerrada na Quinta-feira Santa, é um período de 40 dias que simboliza o tempo em que Jesus jejuou e orou no deserto. Durante esse tempo, os católicos são convidados a praticar a oração, o jejum e a caridade, reforçando a preparação espiritual para a Semana Santa.

Este período busca ampliar a consciência sobre escolhas pessoais e responsabilidades, culminando na celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

A liturgia da Sexta-feira Santa: silêncio, oração e memória

Segundo o Cardeal Orani João Tempesta, a Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que a missa não é celebrada. Em seu lugar, ocorre uma ação litúrgica que inclui orações e ritos em profunda reverência ao sacrifício de Jesus. A celebração começa em silêncio, com o presidente prostrando-se diante do altar, simbolizando o respeito e a entrega.

Esse rito litúrgico reforça o caráter reflexivo da data, enfatizando a dor e o sacrifício, e motivando os fiéis a uma conexão espiritual profunda durante a Semana Santa.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br