Transferência de riqueza gera novas oportunidades filantrópicas

Estudo revela como a nova geração pode transformar o setor de doações no Brasil.

Estudo revela que a transferência de riqueza para novas gerações pode impulsionar a filantropia no Brasil.

O impacto da transferência de riqueza na filantropia

A expectativa de uma das maiores transferências de riqueza da história está aquecendo o setor de filantropia no Brasil e no mundo. Estima-se que até 2048, US$ 124 trilhões serão herdados ou doados, com o Brasil desempenhando um papel central na América Latina, onde aproximadamente US$ 9 trilhões devem ser transferidos. Essa mudança de cenário proporciona uma oportunidade única para fortalecer as ações filantrópicas, especialmente entre as novas gerações.

O panorama atual da filantropia no Brasil

Um levantamento recente, intitulado “Filantropia & Family Offices: Perspectivas e Oportunidades”, realizado por Juliana de Paula e Cássio Aoqui, analisou a atuação de 70 family offices e 23 famílias brasileiras de alta renda. O estudo revelou que 71% dessas famílias já estruturam suas iniciativas filantrópicas por meio de fundações, institutos ou endowments, um indicador de formalização e comprometimento com a causa.

Os dados apontam que, em três anos, o número de family offices no Brasil cresceu 82,5%, passando de 80 para 146, gerindo R$ 457 bilhões. Essa evolução sinaliza um aumento significativo na capacidade de investimento social privado, o que é essencial para enfrentar desafios sociais e ambientais no país.

O protagonismo das novas gerações

O relatório destaca que as novas gerações estão cada vez mais assumindo o comando das decisões filantrópicas. Aproximadamente 67% dos entrevistados afirmaram que a liderança na filantropia familiar pertence a membros mais jovens. Exemplos como o de Teresa Bracher, uma influente filantropa, mostram que a nova geração está disposta a transformar o legado familiar em ações concretas para a sociedade.

Juliana de Paula observa que essa mudança de protagonismo é um sinal de evolução cultural. “A filantropia pode ser uma ferramenta poderosa para unir as famílias e criar legados significativos”, afirma. A pesquisa também revela que 52% dos Single Family Offices tratam a filantropia de forma estruturada, enquanto 47% dos Multi Family Offices abordam o tema apenas quando solicitado pelos clientes.

Desafios e oportunidades para o futuro

Apesar do crescimento notável, ainda existem desafios a serem superados. O estudo aponta que muitos gestores de family offices carecem de conhecimentos sobre como maximizar o impacto de suas doações. Mariana Feffer, fundadora do Regeneration Group, enfatiza a importância de aumentar o volume de capital filantrópico para enfrentar problemas globais. “As novas gerações têm apetite por resultados e buscam maneiras eficientes de aplicar seus recursos”, diz.

A necessidade de um planejamento estratégico e a formalização das iniciativas filantrópicas são cruciais para que as famílias de alta renda possam contribuir de maneira eficaz para o bem-estar social. Cássio França, do Gife, ressalta que a pesquisa evidencia o potencial que as famílias têm para agregar recursos a projetos de interesse público, essencial para a redução das desigualdades no Brasil.

Em suma, a transferência de riqueza para novas gerações no Brasil pode não apenas transformar a maneira como a filantropia é praticada, mas também criar um impacto social significativo, contribuindo para um futuro mais justo e igualitário.