Do chumbo manual à internet, o jornal passou por transformações tecnológicas que incluíram as primeiras rotativas de alta velocidade da região.

Ao longo de 70 anos, a Tribuna do Paraná ocupou quatro sedes diferentes, cada uma refletindo a evolução tecnológica do jornalismo impresso.
A Tribuna do Paraná marcou sete décadas de existência passando por transformações tecnológicas que refletiram a evolução do jornalismo impresso no Paraná.
A primeira sede da empresa funcionava na Rua Barão do Rio Branco, 556, próximo à Estação Ferroviária, onde atualmente funciona o Shopping Estação. Lá, a Editora O Estado do Paraná, dos sócios Aristides Merhy e Fernando Camargo, concentrava redação e impressão no mesmo prédio. Todo o processo de produção era manual, com letras de chumbo montadas linha por linha usando máquinas antigas e pequenas. O trabalho consumia horas para cada edição.
O prédio também guardou histórias peculiares da vida noturna de Curitiba. Segundo relatos de antigos funcionários, nos anos 1960 ou 1970, blocos de carnaval entravam pelo jornal e atravessavam a oficina, com alguns funcionários saindo junto com a folia. A figura famosa da noite curitibana conhecida como Gilda também passava pelo local, sempre de madrugada, longe dos olhos dos chefes.
Em 1974, Paulo Pimentel comprou um terreno na Vista Alegre, bairro ainda pouco habitado na época, e intermediou a abertura de uma rua para permitir o acesso à nova sede: Rua João Tschannerl, 880. Pimentel sonhava com a Cidade da Comunicação e construiu duas sedes modernas para o período. Uma delas abrigava a TV Iguaçu, enquanto a outra, em um nível mais baixo do terreno com vista deslumbrante de Curitiba, funcionava a Editora O Estado do Paraná, com redação, administração e gráfica.
A grande novidade do novo endereço era a rotativa Creusot-Loire, importada da França por Pimentel. A máquina era a primeira offset de alta velocidade da região e multiplicou a capacidade de impressão, permitindo jornais coloridos e mais nítidos. Posteriormente chegou uma Goss Urbanite, dos Estados Unidos, que funcionava em paralelo. Juntas, as duas rotativas imprimiam entre 40 mil e 60 mil exemplares por hora, dependendo do número de páginas.
A dupla de rotativas permitiu rodar dois jornais de madrugada e levá-los ao interior ainda pela manhã. A Tribuna de segunda-feira, que nas épocas de ouro tinha 35 mil a 40 mil exemplares, levava até 3h30 para rodar, com a rotativa entrando em ação entre meia-noite e uma da manhã. Em 2006, nessa mesma sede, o jornal implantou o sistema Computer to Plate (CTP), que permitiu a transferência direta do computador para a chapa de impressão, marcando outro avanço tecnológico. Hoje, a casa da Tribuna do Paraná é a internet, refletindo a transformação do jornalismo para o ambiente digital.






