Valorização dos grãos reflete tensão geopolítica e impacto nos mercados agrícolas

O trigo lidera valorização na Bolsa de Chicago, atingindo o maior preço em um ano, impulsionado por tensões no Oriente Médio e alta do petróleo.
Confira os principais dados de preços e movimentações na Bolsa de Chicago
O trigo lidera valorização dos grãos negociados na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (6), atingindo o maior preço em cerca de um ano com o contrato para março fechando em alta de 5,65%, cotado a US$ 6,1675 por bushel. Na mesma semana, seu ganho acumulado foi de 4,27%.
A soja também acompanhou o movimento positivo, alcançando o maior nível desde junho de 2024. O contrato para maio valorizou 1,82%, encerrando o dia a US$ 12,0075 por bushel, com alta semanal de 2,56%. O óleo de soja e o farelo registraram ganhos de 1,34% e 2,55%, respectivamente.
O milho teve valorização de 1,54%, cotado a US$ 4,6050 por bushel, acumulando alta semanal de 2,68%.
Impacto da escalada do conflito no Oriente Médio sobre as commodities agrícolas
A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, intensificou a volatilidade nos mercados internacionais. Essa instabilidade elevou os preços do petróleo, pressão que reverbera diretamente nos preços das commodities agrícolas, especialmente aquelas ligadas à cadeia de biocombustíveis como soja e milho.
Esse cenário geopolítico levou investidores a adotarem posturas mais cautelosas, com o trigo sendo impulsionado também por movimentos de cobertura de posições vendidas antes do fim de semana, reforçando a alta dos preços.
Perspectivas do USDA e dados que podem influenciar o mercado agrícola global
A próxima semana será marcada pela divulgação de indicadores importantes pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Entre eles, o relatório semanal de embarques e o relatório mensal de oferta e demanda agrícola (WASDE) de março, previstos para terça-feira (10), devem oferecer novas perspectivas para os mercados.
Esses dados são aguardados com atenção pelos investidores, dado seu impacto na avaliação das condições de oferta, demanda e estoques globais de grãos.
Produção recorde da soja no Brasil traz limites aos ganhos da soja no mercado americano
Enquanto os mercados internacionais refletem tensões e volatilidade, no Brasil a safra de soja 2025/26 avança com expectativas de produção recorde. Estimativas da consultoria Datagro indicam que a colheita pode alcançar 182,2 milhões de toneladas.
Esse aumento significativo na oferta sul-americana pode reduzir a demanda chinesa pela soja norte-americana, limitando os ganhos das cotações na Bolsa de Chicago apesar das pressões externas do mercado.
Vendas de exportação e área plantada influenciam preço do milho
O mercado de milho reagiu positivamente aos dados divulgados pelo USDA referentes às vendas de exportação da safra 2025/26, que superaram as expectativas do mercado com 2,023 milhões de toneladas vendidas na semana encerrada em 26 de fevereiro.
Por outro lado, o relatório de intenções de plantio da Statistics Canada projeta aumento de 1,7% na área cultivada com milho, totalizando 1,578 milhão de hectares. Essa perspectiva de maior oferta contribui para limitar a valorização do milho.
Conclusão: fatores geopolíticos, produção e dados agrícolas moldam o mercado global de grãos
O mercado global de grãos está sensível a uma combinação de fatores que incluem tensões geopolíticas, variações nos preços do petróleo, dados oficiais de oferta e demanda e perspectivas de produção nos principais países produtores.
O trigo, liderando a valorização, reflete a cautela e os movimentos especulativos dos investidores diante do cenário internacional. A soja e o milho também respondem a esses estímulos, mas enfrentam limitações decorrentes das condições específicas de oferta no Brasil e no Canadá.
Esse contexto evidencia a complexidade e interconectividade das commodities agrícolas, que dependem tanto de fatores externos quanto domésticos para definir suas trajetórias de preço.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





